Malía - fotos Rogério Von Kruger / Divulgação
Malíafotos Rogério Von Kruger / Divulgação
Por Filipe Pavão*
Rio - "Da CDD pro mundo..." É assim que Malía abre o seu novo single, a música "Onda", em parceria com Léo Santana. A conexão Rio-Salvador, lançada pela Universal Music na semana passada, mistura diversos gêneros da música. É ainda um convite a entrar no mundo da carioca, que faz questão de mostrar que pode ser muitas em uma só.
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“’Onda’ é muito importante para mim porque mostra outras versões da Malía e ainda celebra os nossos corpos. Por mais que tudo esteja uma loucura, a gente não corta a nossa onda e curte a nossa vibe”, diz Malía, que escreveu a letra pensando em Léo Santana: “Essa música já surgiu com a intenção de ser para o Léo há uns dois anos. Eu busquei um contexto em que eu pudesse gravar com ele e que fizesse sentido para os dois. Quando encontrei o momento, mandei a mensagem e o Leo topou. Ele é super incrível e parceiro. Ele trouxe muito gingado, sonoridade e identidade.”
Nascida e criada na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, a carioca de 21 anos lança um trabalho quase biográfico ao colocar diversas referências do seu universo, que vão desde Tati Quebra Barraco, outra cria da CDD e pioneira no funk, até Rihanna, bad girl favorita da jovem que se destacou cantando R&B e hip-hop no Viaduto de Madureira. Hoje, ela faz o seu próprio som, o “trapcal”, que é uma mistura entre hip-hop, trap e elementos da música brasileira.
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“É de extrema importância a gente ressaltar as pessoas que passaram pelo caminho que a gente está trilhando hoje como a Tati Quebra Barraco, que é artista, favelada, fala muito sobre a CDD e reafirma o lugar dela. Olha como isso é inspirador! Realmente, ‘Onda’ é um compilado de inspirações de bad girls, da Rihanna a Tati Quebra Barraco. Eu brinco que se a Rihanna fosse brasileira, ela seria da Cidade de Deus, ela seria carioca, ela seria arretada e amiga da Tati Quebra Barraco”, brinca Malía.
Clipe
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Dirigido por Matheus Senra, o clipe apresenta Malía com quatro roupas diferentes, que representam quatro moods distintos, além da interação entre os cantores em um baile, com direito a muita dança, suingue, pele e gingado. A produção é marcada pela sensualidade, diversidade e protagonismo preto, os quais Malía destaca como elementos naturais do seu trabalho, pois fazem parte do seu cotidiano. É assim que ela se sente representada.
“É uma sensualidade natural de quando a gente não corta a onda. É uma sensualidade pautada no contexto do clipe, de como eu e minhas amigas gostamos de nos vestir quando podíamos ir a festas antes da pandemia. É calor, é RJ, é Salvador, a gente anda de short, a gente anda de top, a gente dança na festa. Esse é o nosso Brasil. É algo natural de quando a gente se encontra e celebra”, diz.
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“Meu objetivo era passar a minha realidade. Não vai existir clipe da Malía sem que ela se sinta representada e à vontade para estar naquele espaço. Infelizmente, a gente tem que falar sobre esses temas, mas não existe uma pauta, surge natural para mim. Tem até várias pessoas que eu conheço na figuração porque é sobre o meu universo e ele é real e múltiplo. Um universo que é só de um jeito, ele é criado, ele segrega. O normal mesmo estar tudo junto e misturado”, pondera a artista que vê a música como “ferramenta de transformação”.
“Política está no nosso posicionamento de existir, respirar e de como vai fazer as coisas. Por exemplo, essa felicidade que eu passo na minha música é o meu posicionamento político. Quando eu falo da CDD, quando eu falo do RJ, quando eu falo de todo mundo estar curtindo, isso é uma resistência. É importante demonstrar pessoas diversas sendo felizes para que todo mundo entenda que a felicidade cabe”, reflete.
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As Malías
Diferente do álbum “Escuta” (2019), sua estreia discográfica que trouxe uma sonoridade mais orgânica e voltada à MPB, os últimos singles da carioca são mais pop e mostram um lado da artista que alguns fãs podiam não conhecer. Malía quer mostrar que ela é livre para ser o que quiser.
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“Essa nova era é uma continuidade do que eu quero externalizar hoje e do que eu me sinto pronta para dizer. Fala muito sobre liberdade de ser quem você é. Quando eu digo liberdade, é liberdade até do que eu vou usar na minha música entendeu? Eu quero e posso falar sobre tudo. Me sinto livre para jogar essa liberdade em forma de música para outras pessoas e elas conseguirem se sentir também”, diz.
Essa pluralidade sonora, que faz Malía lançar o seu próprio “trapcal”, é fruto de muitas influências, sobretudo, brasileiras porque ela acredita “que quando a gente sabe de onde a gente veio, a gente vai com mais firmeza para onde a gente quer chegar”. “Escuto Djavan, Caetano, Jão Bosco, Elis, Alcione... É uma galera. E tem as influências novas, como Tasha e Tracie Okereke, Cristal, Onnika, Ebony, que são mulheres do trap, do grill, da música brasileira e muito importantes porque são o suprassumo em relação à tecnologia e à linguagem. Elas estão não rua para dizer o próximo passo. Elas são o agora e o futuro”, destaca.
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* Estagiário sob supervisão de Tábata Uchoa