Rio - O cinema e a TV já retrataram de diversas maneiras a Independência do Brasil, que completa 200 anos, nesta quarta-feira (7), com uma intensa programação de eventos cívico-militares e culturais por todo o país. E para quem gosta de filmes épicos, com muita aventura e história, 'A Viagem de Pedro', em cartaz nos cinemas, traz Cauã Reymond no papel de Dom Pedro I, a quem se atribui o famoso grito "Independência ou morte!". Escrito e dirigido por Laís Bodanzky, o longa faz um retrato humanizado do ex-imperador e sua fuga para Portugal, em 1831, nove anos depois de tornar o país livre do domínio português.
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"O nosso D. Pedro não é necessariamente um herói", declarou Cauã, em participação recente no 'Mais Você', da TV Globo. Assinando o longa como produtor, o ator contou que teve a ideia por trás do filme há nove atrás. No entanto, o momento em que o filme chegou aos cinemas foi uma coincidência, de acordo com o artista: "É uma sorte, porque a gente está na véspera da eleição, do bicentenário. Eu acho que o nosso filme traz vários outros assuntos delicados como masculinidade tóxica e racismo estrutural. A gente fala desse personagem que é contraditório no nosso país".
O galã também adiantou o que o público pode esperar do personagem visto nas telonas: "Esse D. Pedro é mais humano, (o filme) fala das fragilidades dele, traz características que a gente não sabia. Eu convido todos pra assistirem esse D. Pedro desconstruído, que fala da história do Brasil e do Brasil atual", disse.
A trama se passa a bordo de um navio inglês, enquanto o protagonista enfrenta delírios e conflitos internos, ao mesmo tempo em que lida com o cenário caótico ao seu redor. Com cenas gravadas em português, inglês e francês, o filme mostra os encontros entre realeza, súditos e escravos na viagem que durou cerca de dois meses e antecedeu a batalha de D. Pedro contra seu irmão, Miguel, pelo trono de Portugal.
Trazendo à cena figuras femininas e negras em interações com o ex-imperador, 'A Viagem de Pedro' se propõe como uma obra que complementa e até mesmo altera a história tradicional. "Esse filme mostra que, hoje em dia, a gente está revisitando a história do Brasil de várias maneiras, desconstruindo mitos. Valorizando pessoas e figuras que não foram valorizadas.(...) Eu realmente acredito que o nosso filme vai ser atemporal e que diferentes gerações vão poder visitar essa obra", opinou Cauã.
Novelas e séries marcantes
Não é de hoje que a Independência é retratada em novelas, filmes e séries. Vários atores já tiveram a oportunidade de representar Dom Pedro nas telinhas. Este ano, além de 'A Viagem de Pedro', algumas outras produções celembram o bicentenário na TV, principalmente.
A TV Globo preparou um programa para comemorar os 200 anos de Independência, produzido pela TV Verdes Mares, afiliada da TV Globo no Ceará. No especial, o personagem principal é Falcão (interpretado pelo próprio cantor e humorista), que é o diretor e guia de uma equipe audiovisual que vai rodar o país para contar a História do Brasil e da Independência em formato de documentário.
Mantendo a forma divertida da produção e dos participantes, a história vai ser recontada de um ponto de vista mais real, conforme andam pelo Brasil. Falcão contou um pouco sobre a sua participação: “Nesse especial, eu sou uma espécie de mestre de obras, de mestre de cerimônias. Estamos tentando aprender a História do Brasil todo mundo junto, super comprometidos com esse espírito de equipe mesmo”. O especial vai ser exibido logo depois da novela 'Pantanal', no horário nobre da emissora, no dia 7 de setembro.
Já o canal History Channel preparou uma programação especial com quatro séries inéditas contando mais sobre a história do Brasil. O canal vai inaugurar ao longo da semana as séries 'Insurgentes', 'B de Brasil', 'Dicionário da Independência' e 'Inventores do Brasil'. Cada uma delas vai mostrar o processo de separação de Portugal de um ângulo diferente, e trarão a reflexão do que realmente foi a Independência, 200 anos depois.
O 'Dicionário da Independência', que estreou na última quinta-feira (1), traz vários termos que rondam o tema e suas explicações, seguindo as letras do alfabeto, como por exemplo “b de bandeira”. Já a série 'Insurgentes', foi ao ar nesta segunda-feira (5), e mostra a necessidade e a participação do povo no processo, exibindo cinco batalhas e revoltas nordestinas que foram importantes para a separação.
A série 'B do Brasil' é a única que estreia nesta quarta, e mostra o lado B da Independência, trazendo informações dos bastidores do que realmente aconteceu. E por fim, nesta quinta-feira, o History Channel transmite 'Inventores do Brasil', com apresentação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Além da TV Globo e do History Channel, a TV Cultura também preparou uma minissérie especial para o bicentenário. O lançamento “Independências" tem 16 episódios, exibidos uma vez por semana e o principal objetivo é “reivindicar a participação de um enorme conjunto de culturas e personagens que foram postos à margem da história oficial“. Assim, o diretor traz à luz vários personagens como a própria Leopoldina, Maria Felipa, e o Padre José Maurício, ícones do protagonismo feminino e negro da Independência.
Vários outros canais e produtoras já retrataram a família real no processo de separação do Brasil de Portugal. Confira a seguir:
Séries
'Brasil Imperial' - A série de 2020 conta com dez episódios e mostra a chegada e a vida da família real no Brasil sob o ponto de vista de um jornalista da época, Gonçalves Ledo. Com todos os altos e baixos da passagem deles por aqui até o ato da Independência, a produção da Fundação Cesgranrio está disponível no Amazon Prime.
'Quinto dos Infernos' - Produzida pela Globo e exibida em 2002, essa minissérie mostra os bastidores da família real no Brasil até o ponto de separação com Portugal. O nome faz referência a como a realeza se referia às terras Brasileiras e já entrega o tom de bom humor que os atores imprimiram nos personagens. A obra pode ser assistida no Globoplay.
'Marquesa dos Santos' - A minissérie protagonizada por Maitê Proença foi ao ar em 1984 pela extinta TV Manchete. Nela, Maitê personifica a Marquesa dos Santos, a mais famosa amante de Dom Pedro I, e mostra o outro lado da história, mostrando seu comportamento violento com amantes e esposas. Os 52 capítulos produzidos também mostraram os bastidores e os altos e baixos da vida pessoal do Império.
Filmes
'Caramuru – A invenção do Brasil' - A comédia romântica estrelada em 2001 por Selton Mello e Camila Pitanga conta a história de um amor entre um artista português e uma índia brasileira. O filme é levado com muito bom humor e mostra a lenda de Diogo Álvares, o Caramuru, personagem clássico do folclore brasileiro e protagonista do longa.
'Carlota Joaquina, Princesa do Brazil' - Marieta Severo vive Carlota Joaquina no filme de 1995, uma criança espanhola que foi infeliz no casamento com Dom João VI, e ainda mais triste quando veio ao Brasil. O filme transmite o ponto de vista da rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves durante o Brasil Imperial.
'Independência ou morte' - Neste longa, o foco é a vida de Dom Pedro I, desde a sua chegada ao Brasil, até depois do grito de Independência . O príncipe é interpretado por Tarcísio Meira e conta com um elenco dee peso, sendo o filme mais assistido de 1972.
Novelas
'Novo Mundo' - Produzida pela TV Globo, a telenovela foi exibida em 2017 e conta a história de Dom Pedro como Imperador do Brasil. Apesar de não ter a família real como o foco principal do enredo, ainda é possível ver traços da personalidade do imperador, já que a trama mostra sua paixão por mulheres além da sua esposa, e detalhes da sua forma de governar o Brasil independente.
'Nos tempos do imperador' - Exibida entre 2021 e 2022, o folhetim também foi produzido pela TV Globo e conta com alguns personagens “repetidos” de 'Novo Mundo', levando a entender que pode ser considerada uma continuação. Esta, no entanto, conta a vida no Brasil alguns anos após a Independência. Sob o regime de Dom Pedro II, quais foram as consequências para o país? A novela mostrou como foi para os personagens da trama viver e se adequar aos novos métodos do país.
*Colaborou a estagiária Rebecca Henze, sob supervisão de Raphael Perucci
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