Kevin O ChrisDivulgação

Rio - Kevin O Chris se consolidou como um dos grandes nomes do funk e recentemente voltou ao topo das paradas com "Tá OK", música em parceria com Dennis DJ. O cantor se orgulha da trajetória que construiu e relembra as dificuldades que enfrentou no início da carreira, quando tocava nos bailes de comunidades do Rio. "O pai não para", dispara o artista, ao ser questionado sobre seus planos para o futuro. 
Kevin, como você avalia a sua carreira até o momento?
Meu início no funk começou lá de baixo. Eu era moleque, tocava nos bailes de favela, ainda como DJ. Fui acreditando no meu trampo, em Deus, e as coisas foram acontecendo. Não é uma trajetória fácil, quem trabalha com o funk sabe do que eu estou falando. As oportunidades não aparecem pra gente, temos que correr muito atrás e tudo o que eu conquistei foi graças a isso.
Você esperava que a música "Tá OK" ia fazer tanto sucesso?

A gente nunca sabe quando o som vai estourar, mas algumas músicas tem essa expectativa desde o estúdio e foi assim com 'Tá OK'. Eu já tinha lançado um projeto inteiro que resgata essa essência do funk, o Dennis tem um monte de hits com esse tamborzão e foi fluindo. Um som que mistura o Kevin O Chris, a melodia no estilo que costumo fazer, com o "toma toma" pra dar a liga.

Como foi se apresentar fora do Brasil? A recepção do público lá fora é diferente?

O público lá da gringa abraça demais nosso som de favela. Estamos conseguindo levar o funk pra fora do Brasil com muito respeito e conquistando a galera de verdade. Me deixa felizão subir em um palco com a pista lotada de gente que não conhece nossa cultura das comunidades, mas que é contagiada pela energia do "tamborzão".

Você lançou músicas com grandes nomes como Anitta. Como foi para você essa experiência?

A Anitta é braba demais. Ela representa muito para a história do nosso funk, está estourada demais no mundo todo e, além de enaltecer nossa cultura, sempre deu muita moral pro meu trampo. Só gratidão que tenho por ela.
Com quais nomes ainda gostaria de trabalhar?

Tem muito artista brabo lá fora que eu tenho vontade de mostrar o funk, uma galera daqui que está começando... Eu curto demais trabalhar com diferentes estilos, com todo tipo de artista. A música tem isso, quanto mais junta, mais brabo fica.

Sua faixa “Tipo Gin” repercutiu bastante nas redes sociais quando foi lançada, com mais de 600 milhões de visualizações no TikTok. Como você se sente com esses números?

O estouro de "Tipo Gin" foi muito importante pra minha carreira. O que pouca gente sabe é que minha principal inspiração pra compor essa música foi Deus. Eu estava numa fase bad, não conseguia compor nada e esse som surgiu me mostrando que Deus é gigante, que coisas boas acontecem com quem acredita e tem um propósito.

E o que o público pode esperar de novidades para a carreira?

Tem muita coisa braba vindo. Algumas a galera já sabe, meu som está estourado, ficamos no topo das paradas de música por mais de um mês direto. Eu venho resgatando o tamborzão raiz mesmo, 130 BPM, relíquia. A galera tem curtido demais e pode esperar muito mais.

Pela primeira vez, em 2023, o funk ocupou uma posição no Top 3 das músicas mais ouvidas do Brasil, com você entre as cantores que caíram no gosto do público. O que isso representa?

Representa demais. O funk sempre sofreu muito preconceito e isso só mostra que aos poucos estamos ganhando espaço. Então, só tenho a agradecer a Deus por poder fazer história, não só para a minha carreira, mas para todo esse movimento que contagia todo mundo.
Você pode adiantar quais são os seus próximos projetos? Ainda tem lançamentos para 2023?

Com certeza, graças a Deus! Já tenho muita coisa engatilhada pra sair, o pai não para, com o meu estúdio que construí lá em casa, já recebi uma galera e fizemos muito som para vocês.

Como vê o movimento do funk atualmente?

O funk sempre teve muito preconceito, mas graças as várias gerações de artistas que nunca desistiram estamos chegando a lugares onde ninguém nunca imaginou que chegaríamos. E isso é só o começo, ainda vamos chegar ao topo, esquece!

Qual a sensação de ver o seu trabalho sendo reconhecido nacional e internacionalmente?
É muito louco, sou cria de Caxias, comecei a produzir meu som e a compor sozinho, então nunca tive noção de que chegaria muito longe. Mas sempre tive muita fé em Deus, sou muito grato a Ele por ser o cara que sou hoje.