Rio - Badalação nas praias do Rio à noite não é novidade. Mas agora o espaço também está dividido com religiosos. É que congregações descobriram que orar nas areias fica fresquinho e agradável no calorão deste verão. Religiosos frequentadores noturnos das praias pregam em harmonia com as comemorações de aniversário, festas, bate-papo entre amigos e jogos. Todo este agito incrementa o comércio na orla. Não importam os motivos, o que vale é fugir do calor curtindo à beira-mar.
Enquanto rola uma festa com músicas latinas ao fundo, na Pedra do Leme, a poucos metros moradores de Duque de Caxias, Baixada, o casal Raisa Gabriela e Thiago Diniz esperam os amigos da igreja chegarem. “Hoje é dia de luau evangélico na praia. Vamos orar”, convoca Raisa. O culto só começa quando um coro de outros 15 fiéis chega às areias do Leme num ônibus fretado e com violões em punho. Outros fiéis ocupam trechos da praia para orar.
As ‘nights’ têm lotado as praias cariocas. No Leme, todo mês uma festa com músicas e temas diferentes agita as areias. A Disritmia tem entrada gratuita e sem hora para acabar. Em Copacabana, os quiosques ficam lotados a madrugada toda com música ao vivo de diversos ritmos. “As festas são uma ótima alternativa para quem tem fobia de locais fechados, como eu. Ao ar livre não tem esse problema. Eu adoro! É fresquinho e você sempre conhece pessoas interessantes”, diz a estudante Natália Santos, de 28 anos.
A carioca não perde um evento. “Ligo para os meus amigos e vamos. Curtimos até o amanhecer”, conta. O ator Conrado Helt só lista benefícios. “Você não fica preso a restaurante em uma mesa gigante, onde ninguém conversa direito por causa do barulho e, nem sempre, o ar condicionado funciona”, destaca.
Para Conrado, além da brisa do mar, a bela paisagem ajuda os convidados a interagir. “Aluguei um gerador para o som, comprei gelo, bebida e fiz a minha festa particular”, conta o ator, no Arpoador. De Belford Roxo, Baixada, a família Lessa dispensa agitação. O encontro na praia à noite é para bate-papo . “Cada um traz algo para comer. Hoje temos refrigerante e sanduíche natural. Tudo para fugir do calor de casa”, diz Raísa Lessa.
O contato publicitário, Raphael Aguellas, também não curte ir à praia durante o dia. Foi com a mulher Danielle Hing e a amiga Janaina Orlani. Eles ficaram apenas conversando no Leme. “Durante o dia é impossível, o calor é muito forte” ,diz. O banho de lua é para todos. Mãe de Ana Beatriz, de 3 anos, Priscila Fonseca veio do Cachambi para o Leme.
E quem tem comemorado o movimento noturno são os vendedores. Eles ainda não calcularam, mas festejam crescimento das vendas nas feiras e quiosques.
Conservação de alimentos
As opções de alimentação na praia são muitas. Ambulantes e quiosques oferecem batata e peixe frito, biscoitos variados entre outras comidas. Mas para quem quer uma alimentação saudável e economizar, a saída tem sido levar um isoporzinho de casa. O nome foi dado devido a ação de algumas pessoas que, assustadas com os altos preços cobrados pela alimentação nas praias, optam por preparar e carregar a própria comida.
Mas, é preciso ter cuidado com a conservação e transporte dos alimentos. Nutricionista, Patrícia Villas-Bôas aconselha usar gelo caseiro, feito com água filtrada. A especialista lembra que nem todas as frutas são boas para serem levadas. “Deve-se evitar melancia, melão e abacaxi, pois, apesar de possuírem alta quantidade de água, estragam mais facilmente.” A nutricionista faz outro alerta sobre o que levar para a praia: “Não é recomendável levar salada de frutas no isoporzinho pois, quando picadas, elas têm um processo de deterioração mais rápido”, explica Patrícia Villas-Bôas.