Carnaval em clima de romance

Domingo foi marcado por tempo abafado, pedido de casamento no Bangalafumenga e muita chuva. Bairros ficaram alagados e desfiles cancelados

Por Lucas Cardoso e Martha Imenes

Bloco Cordão do Boitatá
Bloco Cordão do Boitatá -

Rio - O domingo de Carnaval foi marcado por um clima abafado, com muito calor e - como São Pedro não deu trégua - muita chuva, que provocou alagamentos em vários pontos da cidade. Por causa da chuvarada que caiu no final da tarde, o bloco Cachorro Cansado teve o desfile cancelado e Simpatia é Quase Amor e a Marcha Nerd tiveram suas apresentações encerradas antes do tempo. Inclusive foliões ficaram ilhados em diversos locais, de Norte a Sul da cidade, por conta do forte volume de água que se misturava ao lixo.

Apesar da chuva no final do dia, ao todo 67 blocos alegraram o domingo de Carnaval, com destaque para o Bangalafumenga, no Aterro do Flamengo, que teve até pedido de casamento no meio da folia; Areia, no Leblon; e Cordão do Boitatá, que levou mais de 15 mil pessoas para a Praça XV.

Ao som da mistura de todos os ritmos, o bloco Bangalafumenga, ou Banga, deu lugar ao romance. O folião Ricardo Barros, de 33 anos, aproveitou o momento de descontração do Carnaval para surpreender sua namorada, Tatiana Saint’Clair, de 29, com um pedido de casamento. Os dois estão juntos há quatro meses.

“Criei um grupo com os amigos dela e meus e chamei todos para participar desse momento e serem testemunha”, comenta. As músicas do Banga animaram a manhã do pequeno Davi, de 4 meses, que já frequenta o cortejo pela segunda vez. “A primeira foi quando ele ainda estava na barriga da mãe. O Carnaval está no sangue dele. Filho de folião, folião é”, conta Victor Brandão, de 43 anos.

Mesmo com bloqueios espalhados pelas ruas da cidade, até quem saiu da idade da pedra também arranjou um jeito de chegar até a Avenida Infante Dom Henrique, onde desfilou o Bangalafumenga. Kelly Oliveira, de 32 anos e Gleibson Barbosa, de 32, vieram de São Cristóvão fantasiados de Fred e Vilma dos Flintstones. “Tivemos que pedir um carro particular para trazer toda a fantasia”, brinca.

Na praia do Leblon, o tempo nublado não tirou a alegria dos foliões que capricharam nas fantasias para pular o domingo de Carnaval. As amigas Deborah Rodrigues, de 33 anos, Carla Velloso, de 32, Thaianne Zuchelli, de 29 e Millena Zuchelli, de 32, se prepararam para curtir todos os dias de folia sem repetir a fantasia. “Elaboramos um cronograma com uma fantasia para cada dia de Carnaval”, conta.

Boitatá homenageia Alfredinho do Bip Bip

Um dos mais conhecidos do Rio de Janeiro, o bloco Cordão do Boitatá animou os foliões em apresentação na Praça XV, no Centro. De acordo com estimativas da prefeitura, a festa deve reunir mais de 50 mil pessoas. “O Carnaval do Boitatá traz a coisa da fantasia, em todos os seus sentidos, e da musicalidade. Para a gente, o Carnaval é sobretudo um lugar onde a música, a união, o espírito coletivo e a cultura encontram sua máxima potência”, explica o saxofonista Thiago Queiroz, um dos fundadores do bloco.

Durante a execução da música Estação Derradeira, de Chico Buarque, o Boitatá fez uma homenagem a Alfredo Jacinto Melo, o Alfredinho, proprietário do bar Bip Bip, em Copacabana, que morreu no sábado, aos 75 anos.

Banga tem 21 carnavais

São 21 carnavais e o Bangalafumenga cresce a cada ano. Mesmo com tanta experiência Rodrigo Maranhão, um dos fundadores do bloco, ainda sente um frio na barriga antes de começar a apresentação, sempre no Domingo de Carnaval. “Fico sempre nervoso, há mais 20 anos. Pela responsabilidade que vai aumentando ao longo do tempo”, explica. A força e o carisma do Banga se reflete nos milhares de foliões que lotam o Aterro do Flamengo, via expressa que liga o Centro do Rio aos bairros da Zona Sul.

A bateria do bloco é composta pelos alunos das oficinas de percussão, que ocorrem ao longo do ano.

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