Tamborim de Ouro é da Portela

Em busca do 23º título, a azul e branca de Madureira encantou o público com enredo que contava a história dos povos indígenas do Rio antes da colonização

Por Gustavo Monteiro

Desfile da Escola de Samba do Grupo Especial, G.R.E.S Portela, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no centro da cidade do Rio de Janeiro neste domingo (24). Foto: Luciano Belford/Agencia O Dia
Desfile da Escola de Samba do Grupo Especial, G.R.E.S Portela, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no centro da cidade do Rio de Janeiro neste domingo (24). Foto: Luciano Belford/Agencia O Dia -

O sol raiava quando a Portela entrou na avenida, já na segunda-feira, apresentando o enredo "Guajupiá, terra sem males", uma homenagem aos povos indígenas que viviam no Rio de Janeiro antes da chegada dos colonizadores. Uma comissão de frente de tirar o fôlego - com a encenação de um ritual antropofágico e coreografia de Carlinhos de Jesus -, alegorias perfeitas e fantasias luxuosas, entre outras qualidades, renderam à escola o troféu Tamborim de Ouro, do Jornal O DIA, na categoria Escola de Ouro.

Quase 3 mil foliões deram seus votos, por meio do site de O DIA, em nove categorias: Escola de Ouro, A Voz da Avenida, Comissão Sensação, Samba do Ano, Casal Nota 10, Baianas, Rainha, Bateria Show e Carnavalesco. A azul e branca levou também os troféus Bateria Show, Baianas, Casal Nota 10 (Marlon Lamar e Lucinha Nobre) e A Voz da Avenida (Gilsinho).

A Mangueira, que levou o troféu de melhor escola no ano passado, concorreu com a azul e branca voto a voto em todas as categorias, levando a melhor em três: Carnavalesco (Leandro Vieira), Samba do Ano ('A Verdade vos Fará Livre', de autoria do casal Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo) e Comissão Sensação, que contava a história de um Jesus morador de comunidade.

Se a impressão do público estiver em sintonia com a avaliação dos jurados, as escolas que desfilarão no Sábado das Campeãs serão: Portela, Mangueira, Viradouro, Mocidade, Beija-Flor e Vila Isabel.

Rainha das rainhas

Com 13 anos à frente da bateria do Salgueiro, Viviane Araújo brilhou mais uma vez. A musa, que veio de cigana, encantou o público com muita simpatia, beleza e samba no pé. Não podia dar outra: ela levou o Tamborim de Ouro na categoria Rainha.  

Confira o resultado do Tamborim de Ouro 2020

Escola de Ouro - Portela

Carnavalesco - Leandro Vieira (Mangueira)

Bateria Show - Portela

Baianas - Portela

Casal Nota 10 - Marlon Lamar e Lucinha Nobre (Portela)

Samba do Ano - ‘A Verdade vos Fará Livre’, de Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo (Mangueira)

Comissão de Frente - Mangueira

A Voz da Avenida - Gilsinho (Portela)

Rainha - Viviane Araújo (Salgueiro)

Equilíbrio inédito na Sapucaí

Não há registro, na história recente dos desfiles do Grupo Especial, de disputa tão ampla e equilibrada quanto a de 2020. Pelo menos sete escolas, quatro de domingo e três de segunda, podem sair hoje da Apoteose com o troféu mais cobiçado.

A Portela, que conquistou o Tamborim de Ouro, fez um desfile belíssimo e empolgante, e ainda arrastou atrás de si a plateia do Sambódromo no final da apresentação de domingo, aos gritos de "é campeã". Mas... Teve falhas na Comissão de Frente que podem lhe custar pontos preciosos.

A Mangueira também impressionou com seu enredo destemido. As imagens da rainha de bateria, Evelyn Bastos, representando Jesus e sem sambar, certamente vão ficar entre as mais marcantes deste Carnaval. A escola, contudo, pareceu apática em alguns momentos, e deve perder pontos em harmonia e evolução.

Sete escolas na disputa pelo título

Niveladas mais pelos erros que pelos acertos, outras cinco agremiações, além de Portela e Mangueira, estão na disputa. A Viradouro veio riquíssima e com paradas ousadas da bateria do Mestre Ciça. Mas passou com uma de suas alegorias apagada boa parte da pista, algo que os jurados não costumam relevar. Para completar o equilíbrio do desfile de domingo, a surpreendente Grande Rio teve belas alegorias, mas falhou em evolução.

O desfile de segunda teve como destaques Vila Isabel, Salgueiro e Mocidade. Nenhuma delas 'sobrou na turma'. A Vila passou bem (talvez a que menos errou), o Salgueiro pecou em evolução, assim como a Beija-Flor. Já a Mocidade ficou devendo em alegorias, na linda homenagem a Elza Soares.

Ou seja, foi um nivelamento muito mais pelos erros do que pelas virtudes. Algo nunca antes visto nesse século na Marquês de Sapucaí.

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