A banda Beoga anunciou que deixará turnê de Ed SheeranReprodução / Instagram
A banda também mencionou sua atuação no movimento Artistas Irlandeses pela Palestina. "Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser", publicou.
Além do Beoga, Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham também anunciaram nesta terça-feira (15) que não seguiriam como atrações de abertura da turnê. Finneas estava previsto para participar dos shows de Sheeran em São Paulo, nos dias 5 e 6 de dezembro.
"Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão", escreveu Finneas. Lukas Graham defendeu que artistas deveriam poder falar sobre guerras, civis mortos e crianças, enquanto Aaron Rowe citou sua origem irlandesa ao justificar a decisão.
Entenda o que aconteceu
A sequência de desistências começou após Macklemore ser retirado das datas restantes da turnê nos Estados Unidos. Em 4 de setembro, durante uma apresentação no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o rapper gritou "Free Palestine" ("Palestina Livre") e afirmou que queria que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas. A declaração motivou uma petição do Conselho Israelense-Americano pedindo sua exclusão da turnê.
A Messina Touring Group, promotora responsável pela etapa americana, informou que locais que receberiam os próximos shows disseram que não permitiriam as apresentações caso Macklemore continuasse no line-up, o que poderia levar ao cancelamento das datas. Diante disso, a empresa decidiu retirar o rapper da programação.
Ed Sheeran se pronunciou sobre a controvérsia e afirmou que a decisão não foi dele. Segundo o cantor, Macklemore tinha contrato com a promotora e ele tentou dialogar com os locais e envolvidos durante a semana para encontrar uma solução, mas a decisão final coube aos responsáveis pelos eventos.
"Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenho, e não significa que eu não me importe", declarou.
O cantor também afirmou respeitar a decisão de Macklemore de defender publicamente aquilo em que acredita, mas explicou que prefere não transformar sua plataforma profissional em um espaço para política. De acordo com Sheeran, sua intenção é manter os shows como um ambiente de "unidade, alegria, escapismo, amor" e acolhimento.
A repercussão também chegou a Roger Waters. Em vídeo direcionado a Sheeran, o músico criticou o britânico e contrapôs sua postura à de Macklemore. "Há dois tipos de pessoas neste mundo, Ed. Há pessoas que fazem a coisa certa — aquele rapper Macklemore seria uma dessas pessoas — e há pessoas (...) como você, que fazem a coisa errada", afirmou.
Macklemore, por sua vez, declarou após a retirada que não se considera vítima da situação. "Antes de começar, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Neste momento, acho que isso importa. Eu não sou uma vítima", escreveu. "Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e público no mundo todo (...) As vítimas são os palestinos."
*Reportagem da estagiária Carolina Irigoyen, sob supervisão de Isabelle Rosa
