Rio - Wagner Moura, de 50 anos, recordou a indicação ao Oscar de Melhor Ator, por "O Agente Secreto", durante o "Conversa com Bial", da TV Globo, nesta terça-feira (4). O artista baiano comentou que estava sozinho no avião quando soube do marco na carreira.
"Estava viajando de Paris para Los Angeles, que é um voo muito longo. Estava sozinho, todo mundo dormindo, entrei [na internet] e as pessoas começaram a me mandar mensagem. Aí falei: 'por** fui indicado ao Oscar'. Olhei para o lado um cara dormindo, pedi pra menina trazer um vinho, um negócio para eu tomar", lembrou.
Bial perguntou ao ator se ele não dividiu a novidade nem mesmo com a aeromoça. "Não contei. Fiquei com vontade de dizer: 'Esse vinho aqui, é porque fui indicado ao Oscar'. Fiquei quietinho, bebi meu vinho quietinho", declarou o artista, que foi superado por Michael B. Jordan, de "Pecadores", na premiação.
Wagner também destacou o apoio que recebeu dos brasileiros. "O engajamento dos brasileiros dessa campanha era emocionante. Os caras lá não estão acostumados e é bonito um produto cultural brasileiro mobilizar tanta gente assim. [...] Você ver a galera dizendo: 'Esse filme me representa como brasileiro, representa minha cultura, quem eu sou', isso para mim, era f*da".
Após a indicação, Wagner ganhou projeção internacional. Questionado por Bial se o "tipo de convite de papel nos filmes mudou" e "se ele já tem inglês sem sotaque", o ator disparou: "Não tenho e não quero. Acho que represento uma parcela gigante de pessoas que moram naquele país, gente que fala com sotaque, imigrante. Politicamente me sinto confortável de dizer: 'não quero fazer isso', 'é com sotaque que quero fazer'."
Apesar de ter somente duas novelas no currículo, "Paraíso Tropical" (2007) e "A Lua Me Disse" (2005), Wagner falou sobre o formato. "A novela é também um patrimônio da cultura brasileira. Eu adoro novela. Hoje em dia vejo menos, mas já vi muita. Adorei fazer... A novela me preparou", disse o ator.
"Esse instinto de sobrevivência a novela me deu. Nesse momento frenético que estou vivendo, que estou chegando no set sem saber meu script... esse não sou eu, mas é um outro eu, que estou inventando e quero ter ali. Isso a novela me deu. Fazer [novela] é um compromisso muito longo, é um ano inteiro que você fica agarrado numa coisa só", complementou.
Wagner Moura: "A novela é um patrimônio da cultura brasileira. Adoro novela. Hoje em dia vejo menos, mas vi muita novela. Minha primeira novela foi A Lua me Disse e depois fiz Paraíso Tropical. Foram as duas que fiz. E é um compromisso mt longo..."pic.twitter.com/dRuniiJawm
Reconhecido como um apoiador da esquerda, Wagner confirma que isso tem um preço. "Eu vou morrer dizendo as coisas que eu acho. Podem estar erradas, inclusive... Agora é cansativo", disse ele, que apontou as críticas que recebe. "O cara diz assim: 'você prosperou na sua carreira como ator, você conseguiu ter dinheiro para comprar suas coisas'."
"Quando eu fui de Rodelas, pobre, eu podia ser de esquerda. É como se tivesse um portal por onde você passa. Queria saber qual é o teto. Quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social? Que portal é esse que você passa se prosperar com seu trabalho e tem que deixar de acreditar que os outros também merecem? Que você é uma exceção e conseguiu. Não entendo esse raciocínio... Não existe esse portal", opinou.
Wagner Moura: "Queria saber qual é o teto.Quanto você precisa ganhar pra deixar de acreditar em justiça social? Que portal é esse que vc passa se prosperar e tem que deixar de acreditar que os outros também merecem?Que você é uma exceção!"#ConversacomBialpic.twitter.com/9WndAEy2su