Igor Rickli vive um professor da escola de dança em ’Quem ama cuida’Divulgação / Brunno Rangel
"Novela tem essa particularidade maravilhosa de você não receber o personagem completamente pronto. Ele vai acontecendo durante muitos meses. Você vai descobrindo junto com o público, junto com os autores, com a direção", afirma Igor.
"Acho interessante porque o romance coloca o Patrick diante de conflitos que ele não controla sozinho. Ele pode saber o que quer, pode tentar conduzir as coisas de determinada maneira, mas existe a Carolina, existe o Ulisses, existem sentimentos e relações anteriores a ele", diz.
O relacionamento também confronta uma característica importante de Patrick: a necessidade de conquistar aquilo que deseja. "Relacionamento não é exatamente um território que você conquista. É um território que você constrói com outra pessoa. Acho que esse embate pode revelar bastante dele."
A ambição do personagem, aliás, é uma das características que mais interessam ao ator. Em vez de simplesmente julgá-lo pelas escolhas que faz, Igor prefere entender de onde vem a necessidade de mudar de vida e conquistar um lugar que acredita merecer. "Não acho que ele acorde pensando em ser uma pessoa ruim. Ele vai justificando as próprias escolhas, como todos nós fazemos de alguma maneira. E acho que é aí que o personagem fica interessante."
Para Igor, compreender Patrick não significa concordar com suas atitudes. "Se eu julgar o Patrick, eu me afasto dele. Como ator, preciso fazer justamente o contrário: tenho que encontrar a lógica dele, entender por que, para ele, aquela escolha faz sentido naquele momento. Isso não significa concordar com o personagem. São coisas completamente diferentes."
Nesse universo, Dora (Mariana Ximenes) também ocupa um espaço importante. A amizade entre os dois representa, para o ator, um lugar de pertencimento para Patrick, justamente porque ela o conhece de antes de muitas das situações que vive atualmente. "Existe história ali, intimidade, confiança. E eu acho muito bonito quando um personagem tem alguém diante de quem ele não precisa construir uma versão de si mesmo o tempo inteiro."
A dança como desafio
O processo também modificou a relação do ator com o próprio corpo. "A dança te obriga a estar presente no corpo de um jeito muito específico. Eu descobri movimentos, limites e possibilidades que não conhecia."
A principal descoberta veio quando ele deixou de tentar controlar cada movimento. "No começo você quer acertar o passo, contar, pensar em tudo. Depois começa a entender que precisa sentir. Acho que essa foi uma descoberta muito interessante para mim, inclusive como ator."
Uma volta com significado
O retorno ganhou ainda um significado pessoal por acontecer ao lado do filho, Antônio, que interpreta Camilo, personagem de outro núcleo da novela. Os dois não contracenam diretamente, mas o artista acompanha de perto as descobertas do jovem no trabalho.
Após passar por novelas, teatro, musicais e séries, o ator diz que hoje tem mais clareza sobre os trabalhos que deseja fazer. "Quando a gente é mais novo, existe uma ansiedade natural de fazer, experimentar, aproveitar as oportunidades. Com o tempo, você começa a entender melhor onde quer colocar sua energia."
Patrick, segundo ele, se encaixou justamente nesse momento. "Quero encontrar projetos e personagens que me provoquem alguma coisa. O Patrick fez isso. E essa volta também reacendeu em mim um prazer muito grande pela novela, pela continuidade, pela convivência com aquele personagem durante tanto tempo."








