'Mentes que amam demais': psiquiatra reedita livro sobre o transtorno borderline

Em edição revista, atualizada e ampliada do livro 'Mentes Que Amam Demais - O Jeito Borderline', a psiquiatra e autora Ana Beatriz Barbosa Silva aborda o transtorno de personalidade borderline, mal que acomete 2% da população mundial

Por BRUNNA CONDINI | brunna.condini@odia.com.br

'Mentes que amam demais
O jeito borderline de ser'
Ed. Principium; 240 paginas; R$39,90
'Mentes que amam demais O jeito borderline de ser' Ed. Principium; 240 paginas; R$39,90 -

Rio - Em edição revista, atualizada e ampliada do livro 'Mentes Que Amam Demais - O Jeito Borderline', a psiquiatra e autora Ana Beatriz Barbosa Silva aborda o transtorno de personalidade borderline, mal que acomete 2% da população mundial. Mas o que seria o tal transtorno, afinal?

"Primeiro temos que entender que qualquer transtorno de personalidade fala sobre uma pessoa. Antes de denominarmos que trata-se de uma doença, dizemos que é uma personalidade, uma maneira de ser de uma pessoa", ensina.

"Agora, existem padrões de personalidades que trazem grandes sofrimento. E aí chamamos de transtorno de personalidade. Justamente porque causam problemas".

E explica o borderline:

"Podemos dizer que é caracterizado basicamente por uma instabilidade de humor muito grande e rápida, sempre desencadeado por algo, ainda que seja pequeno. Uma pequena frustração, sentimento de rejeição".

NA FRONTEIRA

No livro, a especialista apresenta as principais características e disfuncionalidades da doença. E busca auxiliar, em linguagem acessível, aqueles que vivem no limite das emoções. "Uma característica importante é que as relações mais íntimas são muito conflituosas. Em geral por uma possessividade, dependência, que as pessoas que têm esse transtorno possuem com os mais íntimos", esclarece.

"São pessoas também extremamente impulsivas e com uma autopercepção muito ruim de si mesmas. Têm uma ideia de que são muito piores do que são. Só veem os defeitos, não enxergam as qualidades".

Na obra, Ana Beatriz também conduz para a compreensão, o diagnóstico e as possibilidades terapêuticas. Propõe novas alternativas para que essas pessoas lidem melhor com suas relações afetivas e mostra, por meio de exemplos claros e verídicos, o que esse tipo de funcionamento mental pode causar à vida de uma pessoa, com repercussões na sua vida pessoal e profissional. "O diagnóstico deve ser feito por um psiquiatra que esteja muito habituado com esse tipo de transtorno e tratamento. Isso porque há diagnósticos similares a varias outras doenças", diz. "Inclusive no 'Mentes Que Amam Demais', um dos capítulos iniciais é justamente sobre a possibilidade dessa confusão de diagnósticos".

Ela salienta que há tratamento para o transtorno.

"Na realidade quando se trata de transtorno de comportamento não falamos de cura, porque partiria do pressuposto que existe um padrão de comportamento a ser alcançado. E sabemos hoje que não existe um cérebro perfeito. Daí que esse comportamento perfeito, padronizado, não existe", alerta. "Mas pode-se melhorar as disfuncionalidades que a pessoa com o transtorno de personalidade borderline tem e o sofrimento que isso traz.

E conclui: "Na verdade, acho que essas mentes 'amam demais' porque elas se desesperam para ter alguém que elas chamem de amor. O borderline tem uma autoestima extremamente baixa, é como se fosse um vácuo existencial. Então ele precisa do outro, que ele chama de amor, para existir. O importante, caso você identifique em você algo que possa dar indícios que é portador do transtorno, é: não tenha medo e procure ajuda", recomenda.

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