Heloisa Jorge comenta sucesso de Gilda em 'A Dona do Pedaço'

Atriz destaca a importância de falar sobre temas como câncer de mama e racismo

Por Juliana Pimenta

Casamento de Amadeu (Marcos Palmeira) e Gilda (Heloísa Jorge)
Casamento de Amadeu (Marcos Palmeira) e Gilda (Heloísa Jorge) -

Se em 1942, Mário Lago dizia que Amélia era mulher de verdade, em 2019, Walcyr Carrasco prova que a fisioterapeuta Gilda é quem representa a típica brasileira. Angolana, mas criada no Brasil, a atriz Heloisa Jorge, de 34 anos, comemora a importância da representatividade da sua personagem em 'A Dona do Pedaço'. "A Gilda representa o conflito que a mulher brasileira passa. Ela luta contra os problemas, tem que dar conta da família, do marido, de tudo. É bom que as mulheres, principalmente as negras, se enxerguem nesse lugar. Ela é uma personagem muito complexa e com uma riqueza subjetiva muito grande", diz.

Câncer

Com a personagem lutando contra um câncer de mama, Heloisa conta que pesquisou bastante sobre a doença antes de começar a gravar a novela. "A personagem entrou em uma fase muito delicada, porque ela vai fazer a mastectomia. Para chegar a essa fase, eu fiz entrevistas com mulheres que passaram por essa situação. Uma das coisas que elas mais falaram foi a questão da autoestima, que fica abalada", comenta.

A atriz ainda faz questão de dizer que a exposição sobre o tema é de utilidade pública. "Eu acho que é importante falar disso na novela porque a personagem desmistifica a questão da doença na vida das mulheres. É importante que as mulher busquem tratamento e conheçam o próprio corpo. Muitas mulheres negligenciam isso por conta do ritmo de trabalho", alerta.

Relacionamento

Casada com Amadeu, interpretado por Marcos Palmeira, Gilda conseguiu um aliado para a luta contra a doença. "Ali existe a cumplicidade, a amizade. A Gilda atravessou um momento da vida dele, em que ele estava bem fragilizado. Ele viu nela uma maneira de continuar a vida. E, por isso, ele sente uma gratidão muito grande. Não é que ele não a ame, mas o grande amor da vida dele é a Maria da Paz. Eu torço para que eles sejam felizes, juntos ou separados, o que eu quero é que eles fiquem bem", defende.

Na vida real, Heloisa testemunhou um exemplo de companheirismo dentro da família. "Eu tenho uma irmã que passou por uma situação parecida, porque ela foi diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré. O marido dela, que na época era namorado, ajudou em todo esse processo. Não é fácil nem para mulher e nem para o homem viver isso, porque ele também tem que abrir mão de muita coisa. A relação da minha irmã e do meu cunhado é uma relação de afeto e respeito".

Racismo

Além de falar sobre o câncer de mama, Gilda serve de ponte para falar com o público sobre outro assunto muito importante: o racismo. "Essa é a importância da representatividade da personagem. Porque ali aparecem os conflitos que aparecem na vida de qualquer outra pessoa. O que a Josiane (personagem de Ágatha Moreira, enteada de Gilda) fala para ela é o que a sociedade faz com a pessoa negra no nosso país, que pressupõe que o negro tem um espaço específico para ocupar, que ridiculariza e que tem dificuldade de aceitar pessoas negras em posição de chefia", critica.

Outros trabalhos

Fora da TV, é possível ver Heloisa nos palcos pelo Brasil. No teatro, a atriz é uma das intérpretes de Dona Ivone Lara, no musical que leva o nome da famosa sambista. Outra vertente da artista pode ser conferida nas plataformas digitais com o projeto 'Viagens da Caixa Mágica', em parceria com Lázaro Ramos e Jarbas Bittencourt.

"O projeto nasceu por conta de um livro que o Lázaro escreveu e sempre que ele ia fazer um lançamento em algum lugar, eles compunham músicas que dialogavam com a temática do texto. E daí surgiu a ideia do disco infantil. As músicas falam de afeto, respeito às diferenças. É para crianças, mas os pais também se emocionam. É um portal para o amor e para o afeto. Eu gostaria de ter ouvido algo assim na minha infância e me sinto privilegiada de fazer parte disso", destaca.

 

Comentários