Prefeitura de Duque de Caxias desiste de construir creche no terreiro de Joãosinho da Gomeia

Entidades públicas e privadas fizeram manifestações contra a construção da unidade escolar

Por O Dia

Entidades públicas e privadas fizeram manifestações contra a construção da unidade escolar
Entidades públicas e privadas fizeram manifestações contra a construção da unidade escolar -
Duque de Caxias - A Prefeitura da cidade da Baixada Fluminense desistiu de construir uma creche no terreno que era do terreiro de Joãosinho da Gomeia. De acordo com comunicado da administração municipal,  o prefeito Washington Reis resolveu atender às reivindicações de movimentos religiosos e populares e "decidiu preservar o Terreiro da Goméia, local considerado sagrado para o candomblé". Ainda segundo a prefeitura, "o espaço será cuidado e haverá manutenção do terreno, com o objetivo de respeitar as vivências e as experiências religiosas de toda a população, em especial dos praticantes das religiões de matriz africana da cidade".

A área pertence à Prefeitura de Duque de Caxias e seria usada para a construção de uma nova creche para atendimento a estudantes da Educação Infantil. O governo municipal resolveu alterar o endereço para obra da nova unidade escolar e realizar o cercamento e a limpeza do terreno a fim de preservá-lo.

Um dos marcos para o reconhecimento das religiões de base africana no país, o Terreiro da Goméia foi um espaço com trajetória singular, tendo funcionado de 1951 até 1971, quando Joãosinho da Gomeia morreu. O local contribui muito para a memória cultural e valoriza o patrimônio de importantes grupos que formam a sociedade brasileira.
Para o MPF, apesar do recuo da prefeitura, é necessário avançar nas medidas de proteção ao patrimônio, nos âmbitos estadual e federal, e de valorização da memória.
"A mobilização foi importante para mostrar que decisões ilegais não vão prevalecer sem reação. Agora é necessário continuar a mobilização por direitos em favor da proteção junto ao Iphan e ao Inepac, além da aprovação de medidas na Alerj e nos órgãos municipais, estaduais e federais de valorização da memória", ressalta o procurador da República Julio José Araujo Junior.
Rede de apoio
Desde a divulgação de que o terreiro de Joãosinho de Gomeia poderia virar uma creche foi divulgado, diversas entidades privadas e públicas se manifestaram em prol do terreno. Atualmente, a área está abandonada. 
O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) informou que o processo de tombamento da área do Terreiro da Goméia em 2019 e que atualmente o processo está em finalização, restando apenas a conclusão do estudo arquitetônico, paralisado devido à pandemia da Covid-19.

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