Garotos se dedicam cada vez mais aos games

Mercado não para de crescer e oferece remuneração digna de atividades profissionais

Por HUGO PERRUSO

Henrique (E), Bruno Keul, Paulo Henrique, Bruno Menezes e Patricio fazem parte da equipe de Overwatch
Henrique (E), Bruno Keul, Paulo Henrique, Bruno Menezes e Patricio fazem parte da equipe de Overwatch -

Rio - A disciplina é de atleta, com horários de treino e descanso seguindo uma agenda. De segunda a sexta-feiras, entre 20h e meia-noite, Hexed, HM, Yax, Svenko, Drusker e Quejadinha se reúnem virtualmente para ensaiar e definir estratégias para as competições de Overwatch, um dos grandes games de tiro em primeira pessoa.

Bruno Keul, de 24 anos, Henrique Mutti, de 17, Yannis Pontuschka, de 24, Bruno Menezes, de 16, Patricio Bertolini, de 24, e Paulo Prado, de 18, respectivamente, são conhecidos pelos apelidos no mundo virtual e chegam ao Game XP 2018 como apostas da organização INTZ. Juntos como equipe há quatro meses, o sexteto se encontrou, fisicamente, pela primeira vez no Rio na sexta-feira.

"Sempre que possível, disputamos campeonatos. Jogamos no meio ou no fim de semana. Há jogadores que trabalham, outros que só estudam. Então tem que conciliar as duas coisas e dar uma balanceada. Dormir bem, pois acordamos cedo, e treinar à noite. Essa é a rotina diária", disse Bruno 'Hexed' Keul.

O grupo é formado por jogadores de São Paulo, Rondônia e até da Argentina. O entrosamento aconteceu online e deu tão certo que atraiu o interesse da INTZ. Em comum, o sexteto compartilha o sonho de viver como jogadores profissionais. Com a liga de Overwatch em expansão no Brasil, os gamers miram à estabilidade de nomes consagrados de League of Legends, game de batalha online, com vencimentos de R$ 15 mil, em média, além das premiações.

Esse é um dos argumentos dos caçulas do time, Henrique 'HM' Mutti e Bruno 'Svenko' Menezes, nas negociações com os pais para encaixar na agenda de estudante brechas para os treinos e competições.

"No começo, os pais só querem saber das notas. Não ligam se (o jogo) não atrapalhar o desempenho na escola. Mas, quando você começa a ganhar dinheiro, eles têm que aceitar que isso pode ser grande para o futuro, algo que você gosta e pode virar trabalho. Ao entrar para uma organização grande, o jogador recebe um salário, um dinheiro consistente, e as pessoas passam a respeitá-lo", disse Henrique.

Por enquanto, o dinheiro ainda não permite viver disso, mas já é um complemento de renda importante com um bônus. "Nada melhor do que ganhar dinheiro fazendo uma coisa que você gosta", ressaltou Keul, que trabalha com marketing digital.

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