'A posição da CBF é, se possível, ampliar esses dez dias de férias. Nos ajudariam muito a montar um calendário mais estável', diz Walter Feldman

Em encontro com clubes da Série A e da Série B do futebol brasileiro, o secretário-geral da entidade máxima discursou no lugar do presidente Rogério Caboclo, que não compareceu à reunião

Por Venê Casagrande

Walter Feldman
Walter Feldman -
Rio - A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se reuniu, mais uma vez, com clubes da Série A e da Série B do futebol brasileiro, por videoconferência, para discutir o atual cenário do esporte por conta da paralisação por causa da pandemia da Covid-19. Ausente no compromisso, Rogério Caboclo foi representado pelo diretor de competições Manoel Flores, pelo secretário-geral Walter Feldman e pela gerente jurídica Regina Sampaio.
Walter Feldman defendeu que os clubes aumentem o período de férias coletivas para os jogadores. A maioria dos clubes tem previsão de volta aos treinamentos no dia 21, mas o secretário-geral da CBF 'pediu' que o tempo fosse estendido por mais dez dias. A reportagem teve acesso ao discurso do dirigente que, assim como na semana passada, não quis estabelecer data para a bola voltar a rolar no Brasil.
"Temos que buscar, nesse momento, o máximo de humildade possível para poder entrar junto nessa crise e sair junto. Então, as decisões que puderem ser consensuais e unânimes ou, pelo menos, majoritárias, ajudam e muito para sinalizarmos para a sociedade qual é o comportamento do futebol diante da crise. Pela CBF, nenhuma possibilidade de voltarmos aquilo que é tarefa nossa, que são os campeonatos nacionais, sem a autorização das autoridades de saúde. Isso não significa que estamos parados. Como vários disseram, nós já temos também um extraordinário protocolo de retorno. Nós sabemos que, depois dessa autorização, provavelmente será parcial, não será integral com portões abertos. Mas sabemos exatamente o que fazer no dia seguinte (da liberação). Agora, para nós que estamos buscando uma sintonia num sistema, seria muito complexo qualquer retorno de campeonato. Nós poderíamos ter uma atividade isolada num determinado Estado e depois ter um período absolutamente sem possibilidade de retorno em outros campeonatos. Digo mais, porque que isso é importante para a CBF? Nós vamos ter que reconstruir o calendário. Se nós tivermos dez dias adicionais caminhando para o final do ano, nós teremos uma flexibilidade maior. Isso nos daria condições de ficarmos cada vez mais seguro da data de retorno. Então, a posição da CBF, é, se possível, ampliarem esses dez dias de férias nos ajudam muito a montar um calendário mais estável".
Após as palavras de Feldman, alguns representes dos times se pronunciaram e falaram sobre o tema. O presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, foi o primeiro a citar o tema e foi um dos mais enfáticos.
A pauta seguinte foi sobre o direito de transmissão internacional, e as propostas das empresas foram apresentadas, mas nenhuma foi tão atrativa como todos esperavam, e um novo prazo vai ser aberto para novas ofertas.
Antes de finalizar a reunião, os clubes voltaram a falar sobre férias. Depois de um longo debate, a maioria decidiu, com o apoio da CBF, em estender por mais dez dias, retornando em 30 de abril. Apenas Botafogo, Flamengo e Vasco ainda não mudaram o planejamento porque aguardam a elaboração do protocolo médico da federação carioca para decidirem os próximos passos.
Um novo encontro foi agendado para a próxima sexta-feira, à tarde, para os clubes analisarem o cenário e discutirem novas ideias em relação ao futebol brasileiro.

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