Léo Rafael em ação pelo Nova Iguaçugentil.fotografia

Rio - Um dos destaques entre os clubes de menor investimento do Campeonato Carioca, o volante Léo Rafael, de 24 anos, vive uma fase iluminada com a camisa do Nova Iguaçu. Artilheiro da competição, o jogador revela que o sucesso atual é fruto de uma resiliência que o impediu de desistir do seu sonho.
Bem antes de marcar quatro gols em cinco partidas e dividir a artilharia com Patryck Ferreira, do Bangu, o meio-campista esteve muito perto de abandonar o esporte. Quando jogava nas divisões de base e morava com a família em Campinas (SP), ele ficou próximo de começar a trabalhar como motoboy por acreditar que, aos 20 anos, não poderia seguir sem dinheiro, à espera por uma chance no futebol.
"Já com quase 20 anos nas costas, ser sustentado pela mãe nessa idade não dava mais certo", desabafou.
A trajetória de Léo Rafael começou nas categorias de base do Red Bull Bragantino, de onde saiu por empréstimo para ganhar experiência em Caldense, Audax-SP e Grêmio Osasco. Entretanto, ao fim do contrato, ele se viu sem perspectivas: nem o clube de Bragança Paulista nem seu representante à época demonstraram interesse na renovação, deixando-o à beira da mudança de profissão.

Recomeço em solo cearense

A reviravolta aconteceu quando o meio-campista conseguiu, graças a outros dois empresários, uma vaga no sub-20 do Ceará, onde rapidamente se destacou.
"Fui artilheiro, vice-campeão do Brasileiro de Aspirantes e chamei bastante atenção do Tiago Nunes, que era o treinador profissional", recorda.
Ao aproveitar a oportunidade, Léo Rafael abriu portas para integrar os elencos campeões do Campeonato Cearense Sub-20 (2021), da Copa do Nordeste (2023) e do Campeonato Cearense (2024) pelo Vozão. Inclusive, na conquista da base em 2021, foi dele um dos gols da final contra o Grêmio Pague Menos.

A chance de Léo Rafael no Rio

Do Ceará, foi emprestado a América-RN, Ferroviário-SP e Vila Nova, até chegar ao Nova Iguaçu em 2025. Após o 'hat-trick' contra o Sampaio Corrêa (3 a 1) e o gol marcado contra o Volta Redonda (2 a 2), Léo Rafael encara o estadual do Rio como o cenário ideal para jogadores de clubes com menor investimento aparecerem, classificando como uma verdadeira "Copa do Mundo" particular.
Com uma visão pragmática, ele admite o sonho de atuar na Europa, mas ressalta que prefere defender um gigante brasileiro a jogar em equipes de baixo escalão no exterior. Ao mirar o objetivo máximo de vestir a camisa da Seleção em um Mundial, o volante soma 68 jogos como profissional e vive, em 2026, seu momento mais produtivo na carreira.
Apesar do brilho recente e da artilharia do Carioca, ele mantém os pés no chão sobre o futuro. "Eu não fico planejando muito. Deixo nas mãos de Deus", concluiu.
* Texto de Bernardo Fonseca sob supervisão de Hugo Perruso