Rio - A morte de Oscar Schmidt, nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, traz à memória um dos momentos mais marcantes de sua trajetória internacional: a inclusão no Hall da Fama do Basquete em Springfield, nos Estados Unidos. Na histórica cerimônia de 2013, o "Mão Santa" não conteve as lágrimas em um discurso de 15 minutos, dedicando a premiação à sua esposa, Maria Cristina Victorino Schmidt.
A consagração em Springfield foi o reconhecimento definitivo para o homem que, durante 30 anos, ostentou o trono de maior pontuador de todos os tempos. O feito foi conquistado em 1994, quando Oscar ultrapassou o lendário Kareem Abdul-Jabbar.
A marca absoluta de 49.737 pontos só foi superada em 2024 pela estrela da NBA, LeBron James. Mesmo com a quebra do recorde, a média de 30,7 pontos por jogo permanece como testemunho da precisão que lhe rendeu o respeito de lendas como Magic Johnson, que o descreveu como "imparável".
O prestígio de Oscar nos Estados Unidos é notável, especialmente por ter sido construído sem que ele nunca atuasse na NBA. Em 1984, ele recusou o convite do então New Jersey Nets para não ferir a regra que impedia jogadores da liga americana de defenderem suas seleções.
Esse patriotismo culminou no ouro do Pan de 1987, quando o Brasil derrubou a hegemonia americana em Indianápolis. "Uma das suas maiores felicidades era defender o Brasil", relembrou seu filho, Felipe Schmidt, durante a recente cerimônia do Hall da Fama do COB, ocorrida pouco antes de seu falecimento, no dia 8 de abril.
A imortalização de Oscar no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB), oficializada recentemente no Rio de Janeiro, serviu como o tributo final em vida a um atleta de relevância global. Ele é o único brasileiro a integrar simultaneamente os Halls da Fama da FIBA, da NBA e do COB.
Além dos recordes mundiais, o eterno camisa 14 permanece como o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093 pontos acumulados em cinco edições, e detém a maior pontuação em um único jogo olímpico (55 pontos contra a Espanha, em Seul).
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