Arthur Elias, técnico da seleção brasileira femininaStaff Images / CBF

A derrota da seleção brasileira para os Estados Unidos por 1 a 0, na Arena Castelão, em Fortaleza, não foi o único assunto abordado por Arthur Elias após o amistoso. Em entrevista coletiva, o treinador direcionou duras críticas à arbitragem da espanhola Paola Cebollada López e afirmou que a condução da partida interferiu diretamente no andamento do confronto.

Segundo o comandante brasileiro, os problemas começaram na comunicação entre a equipe de arbitragem e a quarta árbitra brasileira. Arthur relatou que situações semelhantes já haviam acontecido em compromissos anteriores da seleção e que as orientações passadas pela representante brasileira eram constantemente ignoradas.
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"A quarta árbitra brasileira não consegue se comunicar direito com as espanholas, que também não estão nem aí para ela. Foi nesse jogo, foi no jogo anterior, a Rejane me falou isso, que ela falava e as espanholas também não ligavam para ela. Era assim com a Débora hoje também. Acho que o jogo foi condicionado o tempo inteiro pela arbitragem. Não foi isso só no segundo tempo, não é normal o que aconteceu hoje que, obviamente, quem assistiu ao jogo lá de cima, na TV, não vê o que você passa embaixo", declarou.

O treinador também afirmou que nunca havia se sentido tão desrespeitado por uma equipe de arbitragem ao longo da carreira. Para ele, o tratamento recebido não afetou apenas a comissão técnica, mas também as atletas e a própria seleção brasileira.

"O que você passou embaixo foi, pra mim, o jogo em que fui mais desrespeitado na minha vida por um trio de arbitragem, especialmente pela auxiliar, que estava ali do meu lado, e também pela árbitra. Não só eu fui desrespeitado, como as jogadoras foram, a seleção brasileira foi desrespeitada. Eu digo que isso impactou pelo resultado da partida. Acho que a gente precisa separar bem hoje. A seleção dos Estados Unidos veio, fez um grande jogo, tem uma treinadora que preparou a equipe pra sentir essa atmosfera", afirmou.

Arthur Elias foi além e associou algumas situações vividas pela equipe a um tratamento discriminatório contra a seleção brasileira. O técnico disse que o tema já é debatido internamente e alertou para a possibilidade de episódios semelhantes ocorrerem durante a próxima Copa do Mundo.

São várias situações que são reflexo de uma xenofobia que a gente sofre. Isso vai vir para a Copa do Mundo. Eu garanto a vocês que é xenofobia, que a seleção brasileira foi desrespeitada muitas vezes e eu não estou falando isso agora, eu falo isso internamente, mas quem sabe, espero que a gente consiga trabalhar melhor nos bastidores, que vocês da imprensa divulguem, vão atrás disso, porque fica muito no masculino... Mas o que acontece com a seleção feminina, vocês não têm ideia", comentou Arthur Elias, técnico da seleção brasileira feminina.
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Dentro de campo, a equipe nacional acabou derrotada por 1 a 0 diante de mais de 55 mil torcedores no Castelão. O único gol da partida saiu aos 17 minutos do segundo tempo, após um desvio na zagueira Isabela. O confronto foi marcado por cinco expulsões para as donas da casa: Arthur Elias, Bia Zaneratto e Tarciane foram expulsas durante o jogo, enquanto Kerolin e Ludmila receberam cartão vermelho por reclamação após o apito final.

Apesar do revés em Fortaleza, a equipe comandada por Arthur Elias havia vencido o primeiro amistoso da série contra as norte-americanas por 2 a 1, na Neo Química Arena, em São Paulo.