Presidente da Concacaf, Victor Montagliani, à esquerda de Gianni Infantino, mandatário da FifaOmar Vega / AFP
Concacaf reprova plano da Fifa de vender ações da Copa do Mundo
Ideia foi discutida pelos presidentes de cada uma das federações, em reunião composta por membros da América do Norte, Central e Caribe
As 41 nações filiadas à Concacaf rejeitaram por unanimidade nesta quinta-feira (30) o plano da Fifa de vender ações da Copa do Mundo. A ideia foi discutida pelos presidentes de cada uma das federações, em reunião composta por membros da América do Norte, Central e Caribe.
"Durante a reunião, os membros manifestaram profunda preocupação com a falta de devido processo legal em torno da proposta, o prazo artificialmente curto imposto e a ausência de qualquer revisão ou aprovação pelos órgãos dirigentes da Fifa", afirmou a Concacaf em um comunicado.
"Além disso, foi questionada a necessidade de investimento de capital privado para financiar os projetos novos e já existentes do Fifa Forward [programa de desenvolvimento do futebol], após a Copa do Mundo da Fifa mais lucrativa da história", diz o texto."O debate reforçou a necessidade de maior transparência e governança adequada".
"Por esses motivos, a Concacaf e suas 41 associações-membro rejeitaram a proposta", observou a organização liderada por Victor Montagliani, que também é vice-presidente da Fifa.
O futuro do futebol - e o seu ativo mais valioso - deve permanecer nas mãos da nossa família do futebol", enfatizou a confederação que reúne os países-sede da última Copa do Mundo: Estados Unidos, México e Canadá.
Na última terça-feira (28), a Fifa anunciou sua intenção de criar uma empresa, a "Fifa Forward Enterprise (FFE)", para gerenciar suas atividades comerciais e atrair investidores externos. A promessa é de um aporte de US 10 bilhões (R$ 50,8 bilhões) para financiar o desenvolvimento do futebol.
Gianni Infantino, presidente da entidade que rege o futebol mundial, defendeu seu projeto na quarta-feira, mas insistiu que se trata de "uma oportunidade, não uma obrigação".
A proposta sofreu críticas imediatas de figuras do futebol e da política, incluindo uma ameaça das 55 federações da Uefa de boicotar futuras competições da Fifa. Como agravante, o plano ainda foi apresentado apenas 11 meses antes da realização da Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil.
A Concacaf já havia manifestado sua "profunda preocupação com a falta de devido processo legal" antes do comunicado desta quinta-feira, que rejeitou formalmente a proposta da entidade liderada por Gianni Infantino.
Pouco depois, a Federação de Futebol dos Estados Unidos publicou uma mensagem no X confirmando que "apoia a Concacaf e seus membros".

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