Festa da torcida do Flamengo nas arquibancadas do MaracanãAdriano Fontes / Flamengo
Gestão do Maracanã critica investigação do MP sobre superlotação
CEO Fred Nantes classificou a apuração como "midiática" e prometeu que os administradores do estádio vão colaborar com as autoridades
A investigação do Ministério Público sobre a superlotação em jogos de Flamengo e Fluminense no Maracanã gerou incômodo na gestão do estádio. Em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira (11), o CEO Fred Nantes criticou as autoridades, classificou a apuração como "midiática" e prometeu que os administradores do estádio vão colaborar com as investigações.
"Vamos responder, como já fizemos outras vezes, a todas as informações solicitadas, dentro do prazo e pelos canais oficiais, como sempre fizemos. Temos uma ótima colaboração com o Ministério Público e trabalhamos muito bem com eles, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações que forem solicitadas. Vejo isso muito mais como uma questão midiática do que qualquer outra coisa", disse Fred Nantes.
O Ministério Público identificou venda de ingressos acima da capacidade permitida em alguns setores desde o ano passado, principalmente no norte, que é destinado a torcida do Flamengo, e nas cadeiras cativas. Ao todo, foram investigados 12 jogos do Flamengo e cinco do Fluminense. Em todos os jogos do Rubro-Negro houve venda acima do limite permitido e em metade superou a capacidade total do Maracanã.
No setor norte, houve partidas com 23.400 presentes, 2.100 acima dos 21.300 previstos no laudo da Polícia Militar. Já em relação ao Fluminense, houve venda acima da carga permitida, mas nenhum dos cinco jogos superou o limite, nem por setor e nem no estádio. O setor oeste inferior chegou a ficar fechado nesses jogos, embora a regra não permita fechar um setor para superlotar outro.
Além disso, existe a suspeita que parte das entradas extras não foram registradas de forma correta nos borderôs e que houve possível desvio de cerca de R$ 1 milhão por mês, segundo cálculo das autoridades. Há ainda preocupação de que as planilhas oficiais consideram a capacidade inferior ao público real, o que afetaria o planejamento de segurança, com efetivo policial insuficiente para os eventos.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.