Carlo Ancelotti espera contar com mais jovens preparados para a seleção brasileira nos próximos anosRafael Ribeiro/CBF

Carlo Ancelotti foi um dos entusiastas da ideia da CBF aprovada pelos clubes de reduzir o limite de jogadores estrangeiros relacionados para as partidas. E ao falar sobre o assunto pela primeira vez, o técnico italiano defendeu a mudança da regra, que atualmente permite nove jogadores e passará a até cinco em 2030.
"É um aspecto muito importante para dar oportunidade para o talento brasileiro e os jogadores jovens poderem ter minutos no Campeonato Brasileiro. Não é uma proibição, reduzir ano a ano é uma coisa muito positiva para o futebol brasileiro", avaliou Ancelotti.

Decisão que pode beneficiar seleção brasileira

Na análise de seu início de trabalho na seleção brasileira, o técnico identificou a dificuldade para encontrar meio-campistas como um grande problema. Além disso, jovens promessas sofrem para se firmar no futebol europeu e não conseguem uma sequência em suas equipes.
O entendimento é que eles estão saindo muito cedo, sem o tempo de amadurecer no futebol brasileiro antes do passo seguinte rumo à Europa. E a nova regra de limite de estrangeiros busca atacar exatamente este problema.
A ideia da CBF é que, com menos jogadores de fora do Brasil, os clubes terão mais espaço para dar chances e tempo de jogo a suas promessas da base. E também a aposta é que serão obrigados a segurar alguns nomes e não vendê-los por qualquer valor, diante da maior dificuldade de reposição sem poder ir ao mercado sul-americano.
"A gente tem um diagnóstico de que os jogadores sub-23 brasileiros têm jogado cada vez menos. Em contrapartida, o número de estrangeiros aumentou substancialmente nos últimos anos, e isso fez com que os jovens brasileiros tivessem cada vez menos espaço", explicou o diretor executivo da entidade, Helder Melillo, ao apresentar estudo da CBF Academy em reunião com os clubes.

Ancelotti faz reformulação com jovens

Com esse maior tempo para amadurecer, a entidade e a comissão técnica brasileira acreditam que os talentos chegarão à Europa em melhores condições de se firmar. Outra vantagem apontada é que poderão surgir mais opções para posições atualmente carentes na seleção brasileira, como laterais, meio-campistas e centroavantes.
Enquanto essa aposta em revolução no futebol brasileiro não se concretiza, resta a Carlo Ancelotti observar novos jogadores de olho na Copa América de 2028. A expectativa é tê-los mais preparados para serem utilizados na Copa do Mundo de 2030.
"Temos novos jogadores. Os jogos que vamos ter na Austrália são uma boa oportunidade para os jovens que temos aqui. Alguns deles não tiveram muita oportunidade de jogar, que podem acumular minutos com a Seleção", avaliou.