Os episódios ocorreram no dia 31, na casa do Espanyol (RCDE Stadium), em Barcelona. Na ocasião, as equipes empataram em 0 a 0, durante um confronto preparatório para a Copa do Mundo de 2026.
Parte da torcida espanhola entoou a frase "quem não pula é muçulmano" por duas ocasiões, além de vaiar o hino nacional egípcio antes do início da partida. Após a reincidência dos cânticos, o locutor do estádio solicitou a interrupção das ofensas.
O placar eletrônico também exibiu mensagens contrárias à discriminação. O episódio foi registrado na súmula, e a Fifa abriu um processo disciplinar para apurar a conduta.
A RFEF tentou afastar o enquadramento por discriminação, alegando que o termo "muçulmano" não tem caráter ofensivo por si só. A federação defendia a aplicação do artigo 17 do código disciplinar, voltado a manifestações políticas, ideológicas, religiosas ou ofensivas, em vez da regra específica sobre condutas discriminatórias, prevista no artigo 15.
A Fifa, porém, manteve o entendimento de que o episódio se enquadra nas normas antidiscriminatórias. Para o comitê disciplinar responsável, a avaliação não depende apenas das palavras utilizadas, mas da intenção e das circunstâncias em que são proferidas, especialmente quando servem para constranger ou desqualificar determinado grupo.
Por considerar a punição excessiva, a RFEF anunciou que recorrerá ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).
*Reportagem do estagiário Bernardo Fonseca, sob a supervisão de Pedro Logato
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.