Botafogo acertou a chegada de Caio Roque em março deste anoWilson Castro

Estados Unidos - A Bélgica avançou para as quartas de final da Copa do Mundo pela quarta vez na história, a terceira nas últimas quatro edições. Em 2026, a classificação veio após a goleada por 4 a 1 sobre os Estados Unidos, na segunda-feira (6), pelas oitavas de final. Impulsionada por uma geração talentosa, a seleção vem conquistando cada vez mais espaço nos Mundiais e agora se prepara para um verdadeiro teste de fogo diante da Espanha.

Caio Roque, que atualmente defende o Botafogo, conhece de perto a realidade do futebol belga. O lateral-esquerdo, de 24 anos, analisou as características da modalidade no país e as principais diferenças em relação ao Brasil.

"Acredito que o futebol belga seja muito mais aplicado taticamente, um jogo muito físico, de muita ocupação de espaço, enquanto no Brasil o nível técnico é muito grande, esse lado criativo se sobressai bastante. São estilos diferentes e acredito que atuar nos dois me tornou um jogador mais completo hoje em dia", disse Caio Roque em entrevista ao jornal O DIA.
Com passagem pelas categorias de base do Flamengo, Caio Roque recebeu sua primeira oportunidade como profissional justamente na Bélgica, ao ser contratado pelo Lommel United, em 2020. O defensor permaneceu no clube até 2023 e relembrou os desafios enfrentados no país europeu.
"Eu saí do Brasil muito novo, sem experiência, indo pra um país extremamente diferente. Precisei me adaptar ao clima, culinária, cultura, mas fui muito abraçado por todos dentro do clube, o que me permitiu essa adaptação mais rápida. Foi sem dúvida um período diferente, ainda mais por ser meu primeiro passo no profissional, mas pude tirar muitas lições disso tudo."

"Atuar na Bélgica foi muito importante pra mim em vários sentidos. Principalmente porque foi minha primeira experiência como jogador profissional. Noções táticas e técnicas, melhorei muito como jogador, então foi um período que agregou muito na minha carreira. Foram 3 anos bons, em um país diferente, que pratica um futebol que você não está acostumado, então você acaba absorvendo muita coisa importante", completou.

Evolução estrutural

Na visão de Caio Roque, a ascensão da seleção belga no cenário internacional é consequência de um trabalho consistente realizado ao longo dos últimos anos, especialmente na formação de atletas.
"A Bélgica é uma escola de futebol que sempre foi relevante, não necessariamente entrando como favorita nas Copas, mas sempre tendo bons times, competitivos. O investimento na liga foi crescendo, também na formação de jogadores, e os frutos estão aí. A Bélgica se tornou uma grande formadora de atletas, vemos pela antiga geração e agora pela nova, que vem fazendo mais uma grande campanha na Copa do Mundo", pontuou.

Confiança para enfrentar a Espanha

Às vésperas do confronto pelas quartas de final, o lateral acredita que a confiança adquirida no mata-mata pode equilibrar as ações diante da favorita Espanha. O duelo acontece nesta sexta-feira, às 16h (de Brasília), no Estádio de Los Angeles.

"Acho primeiramente a equipe da Bélgica muito forte tecnicamente. O time encaixou bastante no mata-mata e a gente sabe a importância desse entrosamento na reta final em torneios como a Copa do Mundo. A Espanha tem um time mais forte, é claro, mas a Bélgica chega com muita confiança depois da vitória contra os Estados Unidos. Acredito que seja um jogo muito equilibrado, mas acho que a Bélgica pode surpreender o mundo, principalmente pelo entrosamento que mostraram do mata-mata pra cá", concluiu.
* Sob supervisão de Gabriel Salotti