Fluminense e a difícil missão diante do Atlético-PR

Em meio a turbilhão de problemas internos e crise política, tricolores têm que bater o Furacão por três gols para avançar à decisão da Sul-Americana

Por HUGO PERRUSO

Gum no treino do Fluminense -

Rio - Grave crise financeira, eliminações decepcionantes no Carioca e na Copa do Brasil, salários atrasados, perda de jogadores, calote de patrocinador, erros em série na gestão e risco de rebaixamento no Brasileiro. A temporada de 2018 é para ser esquecida pela torcida tricolor, mas ainda pode ser salva com a conquista da Copa Sul-Americana. Para manter o sonho vivo, o Fluminense precisa vencer hoje, às 21h45, no Maracanã, o Atlético-PR por três gols de diferença para se classificar à final ou por 2 a 0 para levar a disputa aos pênaltis.

A missão para voltar a uma final continental após nove anos não é fácil, principalmente pela péssima fase da equipe. Com o recorde histórico do clube de sete partidas sem fazer gol, o Fluminense terá de encontrar uma forma de acabar com o jejum e recuperar a confiança, até mesmo visando à última rodada do Brasileiro contra o América-MG, domingo.

"É visível que a falta de gols e de vitórias foi atrapalhando e aumentando a pressão. Só que agora vamos para duas finais. E o importante é fazer gols, seja como for. Feio é não fazer", avisou Gum.

Antes mesmo da má fase o ataque tricolor já era motivo de preocupação. Somente em seis vezes no ano o Fluminense venceu por três ou mais gols de diferença. Em compensação, nos três duelos que teve nesta Sul-Americana jogando no Maracanã, o Tricolor conseguiu vitórias que interessam hoje (2 a 0 sobre Deportivo Cuenca e Defensor e 3 a 0 no Nacional Potosí).

"Sinto prazer em encarar os desafios e superá-los. Quanto maior, maior a conquista. A única coisa que me preocupa é minha questão física", afirmou Gum, que retorna ao time após ser poupado por desgaste. O goleiro Júlio César, recuperado de lesão no ombro esquerdo, também será reforço.

Pressionados, os jogadores pelo menos terão uma trégua com a torcida. O prometido mosaico foi cancelado (mais de R$ 2 mil haviam sido arrecadados), mas o apoio de mais de 30 mil está garantido. "Temos que acreditar muito. Estamos muito vivos. É natural que haja essa apreensão do torcedor. Mas vamos para duas decisões", avisou Gum.

 

TORCIDA BUSCA INGRESSOS E DIRETORIA FAZ PROMOÇÃO

Mesmo com o time em baixa, torcedor e Fluminense tentam mudar o clima na semana decisiva. Muitos tricolores fizeram fila para garantir presença na partida de hoje e, após dias de marasmo, as vendas ultrapassaram mais de 30 mil ingressos.

Um dos que garantiram presença na decisão foi Marcílio Araújo, de 32 anos. Será a primeira vez dele no Maracanã. O paraibano, que veio para o Rio aos 13 anos, não tinha relação com clubes de futebol até 2009, quando viu o 'Time de Guerreiros' escapar do rebaixamento. E a decisão de estrear no estádio se deveu a um discurso de Gum depois da derrota em Curitiba, pedindo o apoio dos torcedores. "O que Gum falou me motivou muito. Eu espero ser pé-quente. Meu palpite é três a zero", afirmou Marcílio.

Além do duelo de hoje, com a confirmação pela CBF do jogo contra o América-MG no domingo, às 17h, no Maracanã, a diretoria tricolor fez promoção de ingressos para encher o estádio. Sócios poderão ir de graça e levar um acompanhante, enquanto os demais torcedores pagarão R$ 5 (inteira).

Pedro Abad pede trégua com torcedores: 'O Fluminense precisa de vocês'

Pedro Abad - LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.
Pedro Abad é presidente do Fluminense - Lucas Merçon/ Fluminense F.C

Rio - Com duas partidas decisivas pela Copa Sul-Americana e pela última rodada do Brasileiro, o Fluminense tenta apaziguar os ânimos internos em busca de um bem maior. Para isso, o presidente, Pedro Abad, rompeu o silêncio e pediu que os tricolores deixassem de lado as críticas à sua gestão e ao time nesta semana e que fossem ao Maracanã nesta quarta-feira, contra o Atlético-PR, e no domingo, contra o América-MG.

"Sei que as coisas não estão fáceis. Mas estamos vivendo uma semana fundamental. Quero pedir para que os torcedores se concentrem e mantenham foco no clube. Jogadores e presidente tudo passa, a instituição fica. Que nesses cinco dias se esqueça tudo que for periférico e vamos apoiar o clube, que precisa do torcedor. O Fluminense precisa de você, torcedor. Erros acontecem, mas agora é o momento do torcedor se concentrar com o que acontece em campo. Precisamos do apoio. Depois de domingo as críticas podem voltar com tranquilidade", afirmou Abad.

Em paralelo, o presidente tricolor confirmou que a diretoria segue na busca de dinheiro para quitar o quanto antes a dívida com os jogadores (um mês de salário e quatro de direitos de imagem). Abad não deu prazo, mas acredita que o dinheiro da venda de João Pedro ao Watford deve finalmente sair. O Fluminense teve problemas burocráticos para receber o valor, o que ocasionou toda a dívida.

"O prazo sempre é o mais rápido possível e estamos trabalhando para resolver. Várias pessoas trabalham para que isso aconteça, só que a velocidade nossa nem sempre é a velocidade das pessoas com as quais estamos tratando e por isso gera esse atraso. Mas tenho confiança que isso vai se resolver muito rápido", garantiu.

Em relação à grave crise financeira, Abad lamentou as penhoras ao longo do ano e também admitiu que o Fluminense contava com a venda de atletas para engordar o caixa, o que não aconteceu, principalmente após a lesão de Pedro, quando negociava com o Real Madrid. Entretanto, o Tricolor negociou Henrique Dourado, recebeu porcentagem pela transferência de Richarlison para o Everton.

"São vários problemas que aconteceram no ano. Tivemos penhoras pesadíssimas, outras questões trabalhistas. E esse ano ainda não vendemos atletas, algo anormal. É natural que isso de alguma forma impactasse o caixa. Estamos nos esforçando, tirando receita de onde não tem. Não só a venda do atleta A ou B atrapalharam o planejamento financeiro do clube", analisou.

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