Grupos políticos entram em acordo e Fluminense vai ter assembleia para antecipar eleições

A tendência é que a definição aconteça em 30 dias

Por HUGO PERRUSO

Pedro Abad voltou a afirmar que não vai renunciar ao cargo, mas revelou que o Fluminense precisa de mudanças para sair do momento crítico
Pedro Abad voltou a afirmar que não vai renunciar ao cargo, mas revelou que o Fluminense precisa de mudanças para sair do momento crítico -

Rio - Uma reunião com as principais lideranças políticas do Fluminense deu o aval que o presidente tricolor, Pedro Abad, queria para tentar antecipar a eleição de 2019. Foi decidido que será convocada uma Assembleia Geral para que os sócios escolham se o pleito de novembro pode ser realizado em março. Ainda assim, os interesses de cada lado mantêm o futuro do clube indefinido, com o risco de parar na Justiça.

Estiveram presentes 18 pessoas na reunião, inclusive possíveis candidatos, como Celso Barros, Mário Bittencourt, Ricardo Tenório, Pedro Antônio e Cacá Cardoso. O presidente do Conselho Deliberativo, Fernando Leite, que poderia assumir em caso de renúncia de Abad, deixou a reunião após uma hora alegando assuntos de trabalho. De um lado, ficaram aqueles favoráveis a uma eleição em março, com mandato até 2022. Do outro, quem acha que deveria ser escolhido um presidente para um mandato tampão até novembro, quando aconteceria um novo pleito.

Abad, que reafirmou que não irá renunciar, não revelou detalhes da proposta que enviará (são necessários 30 dias após a convocação para que a Assembleia aconteça), mas a tendência é que opte por um pedido de apenas uma eleição, para mandato até 2022.

“O Fluminense precisa de uma mudança e ela está sendo proposta. Eu me sinto em condições totais (de comandar o clube), mas aceito uma solução alternativa. Entendo que o momento precisa de outra atitude e por isso propus essa solução intermediária”, afirmou Abad, não preocupado com uma possível judicialização do pleito por causa do artigo 150 do estatuto do Fluminense, que diz que mudanças só podem ser feitas para a próxima gestão.

“Essa regra visa a impedir que um mandatário tente legislar de forma a aumentar seus direitos ou se perpetuar no poder. No meu caso, a única coisa que acontece é a redução do mandato do presidente. Quem é conselheiro hoje continuará a ser”, disse.

Entre os defensores de um pleito único para mandato até 2022 está o grupo de Celso Barros, Tenório e Bittencourt. “Seria ruim ter duas eleições no mesmo ano num curto espaço de tempo. Acho que clube vai sair esfacelado. A vontade da torcida do Fluminense tem que ser maior do que as decisões individuais”, afirmou Bittencourt.

Já Pedro Antonio vê risco de a eleição parar na Justiça, e Abad se manter no cargo por mais tempo. “Com duas eleições se reduz em 98% o risco de judicialização. Se questionarem esse movimento, Abad pode ficar até julho e vai ser um tumulto, com um presidente que quer sair e não sai. É uma questão de bom senso e de obedecer o estatuto”, afirmou.