Relembre fatos históricos de 1988, quando Cocada deu o título ao Vasco

Na época, Brasil aprovava atual constituição, Ayrton Senna era campeão na Fórmula 1 e Chacrinha morria aos 70 anos

Por bernardo.argento

Rio - Desemprego em larga escala, economia estagnada, elevados índices de inflação, aumento da dívida externa e perda do poder de consumo da população. Os anos 1980, batizados pelos experts em mercado como a ‘década perdida’, não trazem boas recordações aos brasileiros. Mas, em 1988, o país viveu meses de esperança. Principalmente na política, após a promulgação, pelo Congresso Nacional, da nova Constituição, último passo para o sepultamento dos anos de chumbo da ditadura que assombraram a Nação por mais de duas décadas.

Com isso, a tarde do dia 5 de outubro tornou-se histórica, mas não única. Especialmente para quem carrega a cruz de malta no peito. Afinal, em sua última decisão direta de Campeonato Carioca contra o Flamengo, o Vasco, em 22 de junho, sagrou-se bicampeão.

A festa começou após o gol do lateral-direito Cocada. Ele entrou em campo aos 41 minutos do segundo tempo (no lugar de Vivinho), balançou a rede aos 44 e foi expulso aos 45, após provocar o técnico rubro-negro Carlinhos e tirar a camisa para celebrar o feito que o eternizou em São Januário.

Cocada fez o gol do título do Vasco na final contra o Flamengo, no Carioca de 1988Arquivo Agência O Dia

Mas nem tudo foi alegria para os vascaínos em 1988. A morte de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, apaixonado cruzmaltino, vítima de enfarte, aos 70 anos, chocou a todos. Aliás, conquistas e perdas não foram comuns só à imensa torcida bem feliz e demais amantes de futebol.

Enquanto os fãs da Fórmula 1 vibravam com o primeiro título mundial de Ayrton Senna, no GP do Japão, os aficcionados pela teledramaturgia lamentavam a morte de Yara Amaral. A talentosa atriz foi uma das 55 vítimas fatais do Bateau Mouche IV, barco que afundou na Baía de Guanabara em 31 de dezembro, quando se dirigia para a queima de fogos em Copacabana — 153 pessoas estavam na embarcação.

Meses antes, o Brasil quase parou, hipnotizado pela célebre pergunta ‘quem matou Odete Roitman?’ e a bela trama da novela ‘Vale Tudo’, sucesso absoluto de audiência. A televisão ainda gerou o fenômeno ‘TV Pirata’, programa que, com rebeldia e ousadia, revolucionou a forma de se fazer humor no país.

O Carnaval também consagrou a campeã Vila Isabel. Com um enredo digno de Oscar, a escola arrebatou o público levando à Sapucaí ‘Kizomba, a festa da raça’. Por falar em Oscar, 1988 viu o ator Michael Douglas, em ‘Wall Street — Poder e Cobiça’, ganhar a estatueta de melhor ator. ‘O Último Imperador’, ficou com o prêmio de melhor filme.

JUDÔ GANHA OURO EM SEUL

Os loucos por futebol ainda sofreram com o tropeço da Seleção na busca pelo (ainda hoje) inédito ouro olímpico, após a derrota para a União Soviética. A alegria nos Jogos de Seul veio com Aurélio Miguel, que faturou a primeira medalha de ouro do judô brasileiro em uma Olimpíada. Decepção só com o primeiro doping da história na competição, do canadense Ben Johnson nos 100 metros rasos.

O assassinato do seringueiro e ambientalista Chico Mendes, em Xapuri, no Acre, também marcou o fim de 1988, um ano repleto de conquistas sociais, políticas e esportivas, mas com perdas, frustrações e tragédias. Um ano inesquecível. Para vascaínos, ou não.

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