Rafael Fera diz que tem como motivação poder ser útil às pessoas e levar-lhes positividade - Arquivo pessoal
Rafael Fera diz que tem como motivação poder ser útil às pessoas e levar-lhes positividadeArquivo pessoal
Por Irma Lasmar
O número de transmissões de vídeo ao vivo (a chamada "live", em inglês) aumentou consideravelmente em função da quarentena decretada pelos governos para conter o avanço do novo coronavírus. Isso porque, além de estarem com mais tempo livre para o entretenimento e novos aprendizados, as pessoas necessitam do contato com o mundo externo. Afinal, humanos são seres sociais e sempre darão um jeito para manterem suas relações interpessoais e evitarem a solidão. Na onda tecnológica a serviço do bem-estar individual e coletivo, internautas de todo tipo de segmento profissional estão aderindo ao recurso de aproximação virtual e dividindo tanto suas rotinas quanto seus conhecimentos específicos. E os comunicólogos são os primeiros a lançar mão da ferramenta, inclusive para difundir informações de fontes confiáveis e abrir espaço para debates, trocas de ideias e reflexões - habilidades que estão no escopo de suas atividades.
"Publicações escritas muitas vezes são lidas tão rapidamente que geram má interpretação, o que raramente acontece em vídeos, onde é possível se expressar com mais exatidão, mesmo que gere opiniões contrárias. A comunicação fica mais direta e compreensível", diz o jornalista Rafael Fera, de 41 anos, que já fazia "lives" em seu canal, porém, com o isolamento social, pôde realizar o desejo antigo de tornar mais frequentes as transmissões. "A ideia não veio com a quarentena, mas a oportunidade sim. Eu já vinha gravando vídeos curtos, então com a pandemia nasceu o hábito, que faz bem tanto para mim quanto para meus amigos".
Publicidade
Rafael Fera sempre usou suas redes sociais para dividir notícias e opiniões pessoais. Com as transmissões ao vivo, ele mantém a linha de atuação, só que em vídeos: traz as notícias do dia, posiciona-se sobre o tema, propõe reflexões e abre espaço para comentários. Ele conta que estava em seu apartamento, onde mora sozinho, sem ver a família há duas semanas, quando resolveu criar o novo método de conexão com o público.
"Sou motivado diariamente por um pensamento: qual a pequena atitude que posso tomar hoje para mudar positivamente a vida das pessoas? E, durante a quarentena, essa ideia foi mais forte. Fiz duas listas de transmissão de whatsapp, nas minhas linhas de telefone pessoal e no corporativa, para enviar uma mensagem simples, perguntando se estavam todos bem e me colocando à disposição para conversar, e o resultado foi surpreendente, pois muitos amigos, inclusive não tão íntimos, manifestaram o sentimento de angústia e solidão e a necessidade de companhia. Senti uma felicidade enorme em poder ser útil neste momento. Esse foi o impulso para minha primeira transmissão ao vivo pelo Facebook", revela.
Publicidade
Os canais do jornalista são "Rafael Fera" no Facebook (ou facebook.com/rafaelferaniteroi) e  @rafaelferaniteroi no Instagram. Neste último canal, as "lives" ficam no ar apenas por 24h.
"Sobre o Covid-19, passo informações oficiais e explico a importância da quarentena segundo as orientações da Organização Mundial de Saúde, tudo de forma didática e humana em vez de científica, com uma linguagem leve e descontraída, enxergando sempre o lado positivo das coisas, como já é do meu perfil", comenta ele, que se descreve uma pessoa sempre aberta a um bom papo.
Publicidade
Entretanto, o coronavírus não é sua única pauta.
"Falo muito sobre empatia e amor. Levanto reflexões sobre o sentido da vida e das relações humanas, que levem as pessoas a novos bons hábitos e reforcem valores conhecidos mas esquecidos, como por exemplo a diferença que faz um simples bom dia para quem nos rodeia, incluindo prestadores de serviços que nos servem diariamente e os quais muitas vezes não enxergamos na correria da rotina - pessoas que têm suas histórias, suas dores, seus sonhos. Sugiro, assim, para todos, aquilo que faço comigo mesmo: usar o tempo livre, ou cavar oportunidades, para uma verdadeira 'reforma interna' que ressignifique nossa existência", indica.