Além dos alimentos, grupo entrega água mineral e itens de higiene - Venê Casagrande
Além dos alimentos, grupo entrega água mineral e itens de higieneVenê Casagrande
Por Venê Casagrande

A pandemia do novo coronavírus tornou ainda mais difícil a situação de quem vive nas ruas. Com o comércio fechado e poucas pessoas circulando, ter o que comer é hoje um desafio muito maior. Mas, em Niterói, a ação de um grupo de amigos tem ajudado a diminuir esse sofrimento. Todos os dias, eles preparam café da manhã e almoço, e percorrem os pontos da cidade em que há concentração de sem-teto para fazer as doações, que incluem também itens de higiene e de proteção individual. 

A ação é comandada pela dentista Thalita de Almeida Miana, de 34 anos. Com o consultório fechado neste período de quarentena, ela reuniu o pessoal do condomínio em que mora, no bairro São Domingos, e decidiu ajudar a quem precisa. As doações começaram com 30 quentinhas, e hoje atingem marca de 230 entregas, além de 140 refeições de café da manhã. 

"Nos primeiros dias de quarentena eu chorava muito por conta de tudo que via e ouvia. Aos poucos, fui começando a ajudar e isso foi me deixando melhor. É gratificante demais poder ajudar. Ver o sorriso deles me deixa feliz", diz Thalita de Almeida.

A reportagem de O DIA acompanhou as doações. O roteiro é quase sempre o mesmo. Thalita e seus aliados começam as entregas pelo Ingá, onde, na tarde de anteontem, ajudaram Amanda, de 39 anos, que vive na rua com dois filhos. As crianças choravam. Segundo a mãe, era de fome. 

"Muita gente pode achar que uma marmita e um copo de guaraná é pouco mas, para nós, é tudo. Ainda mais no meu caso, que ainda tenho que alimentar duas crianças. Além da comida, ela ainda me ajuda com fraldas. Isso é incrível. O que ela faz pela gente é uma ação divina", disse Amanda, que preferiu não informar seu sobrenome. 

Ao lado dela, outra pessoa em situação de rua, que se identificou apenas como José Carlos, também recebeu o almoço do dia: feijão, arroz, carne e batata cozida. José Carlos tem 62 anos. Na esquina das ruas Presidente Pedreira e Pereira Nunes, ele expõe alguns produtos sobre um pano para tentar alguma renda que o ajude a sobreviver. Ele vende desde esponja de cozinha a chaveiros com o escudo do Flamengo.

"Isso aqui é incrível, meu filho. Olha esse prato, está maravilhoso. Que arroz e feijão gostoso. Quer experimentar?", disse José Carlos, oferecendo o alimento ao repórter com um sorriso no rosto.

Ação percorre três bairros
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Thalita de Almeida conta com a ajuda do marido e da empregada doméstica para preparar as doações. Recentemente, cinco pessoas do codomínio em que mora também chegaram junto para prestar auxílio. Os voluntários apoiam financeiramente, na montagem da refeições e também durante as entregas, que são feitas em carros particulares.  
"Graças a Deus a gente está conseguindo nos manter. Meu marido é engenheiro da Petrobras e continua trabalhando. Eu sou dentista e também estou conseguindo preservar minha renda. Se temos condições, por que não ajudar?", diz Thalita.  
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Depois de passar no Ingá, o grupo segue para a Cantareira, ponto da cidade onde há concentração de pessoas em situação de rua. Dali, partem para o Coreto do Gragoatá, onde abastecem mais famílias. A próxima parada é no Centro, onde o grupo de voluntários ajuda pessoas em locais onde os sem-teto se reúnem, como a rodoviária e próximo ao estacionamento da estação das barcas.
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