A diretora do Ceja Niterói, Verônica Dias: 40 anos de magistério 
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A diretora do Ceja Niterói, Verônica Dias: 40 anos de magistério Divulgação
Por MARCELO BERTOLDO

Após 30 anos de trabalho no Colégio São Vicente de Paulo, em Icaraí, Maria de Fátima, de 57 anos, não ficou muito tempo longe da escola. Aposentada, a ex-auxiliar de serviços gerais trocou o material de limpeza pelo didático no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) de Niterói, o antigo supletivo. Com a suspensão das aulas presenciais por conta da pandemia do coronavírus, a Fundação Cecierj, além de assistência digital para os atuais alunos, reabriu o processo de matrícula para novos interessados. Tudo, agora, 100% online.

Em Niterói, a plataforma digital já era uma realidade antes do decreto do governador Wilson Witzel determinar o isolamento social no Estado do Rio. Uma vez matriculado, o aluno terá acesso a todo o conteúdo programático e aos professores por meio da plataforma digital de ensino.

"O Ceja Niterói já trabalhava com a plataforma digital antes da pandemia. No dia da matrícula, o aluno recebe uma senha para acessar o Ceja Virtual. Na plataforma, agendam aulas, tiram dúvidas e fazem exercícios com os professores", explica Verônica Dias, diretora do Ceja Niterói.

Maria de Fátima é uma das 3,2 mil matrículas na unidade de Niterói. Natural de Itaperuna, ela parou de estudar aos 14 anos. A necessidade de trabalhar falou mais alto. Por décadas, o sonho de voltar às salas de aula ficou adormecido. Sem arrependimento, ela se orgulha por ter ajudado a família, em especial o filho, Sérgio Rodrigo, de 27 anos, que cursa gestão empresarial.

"Fácil não é, mas é preciso fazer um esforço. Estou no Ensino Fundamental, e falta uma prova (de Matemática) para concluir e iniciar em breve o Ensino Médio. É uma satisfação muito grande cada conquista", disse Maria de Fátima.

Do Ceja Niterói para a UFRJ. Foi assim com Marcos Paulo da Silva Rodrigues, de 24 anos, que iniciou o curso de pedagogia depois de concluir o último ano do Ensino Médio em sete meses. Violinista da Orquestra Cordas da Grota, projeto social musical na comunidade, ele lembra como a educação o salvou.

"Estava numa fase ruim, em depressão. No Ceja Niterói, pude me abrir com algumas pessoas, como a diretora Verônica e outros professores. Pensei em desistir, mas fui acolhido e incentivado. Ali, mais do que uma escola, encontrei pessoas de todas as idades em busca de uma vida melhor. Escolhi pedagogia porque gosto da sala de aula", diz.

Com 40 anos dedicados à educação, Verônica Dias revela que o projeto Ceja marca um capítulo especial em sua trajetória no magistério. Ela conta que histórias como a de Maria de Fátima e Marcos Paulo são fontes de inspiração, e renovam a paixão pela sala de aula.

"É muito bonito e gratificante ver os alunos se sentindo valorizados. São pessoas que passaram por alguma dificuldade na vida. E nosso trabalho é recuperar o tempo perdido, resgatar a autoestima de quem decidiu voltar a estudar depois de muito tempo, sempre respeitando as diferenças", diz.

As inscrições no Ceja Niterói devem ser feitas no site https://sca.cecierj.edu.br/scc/prealuno/preMatricula/. Em seguida, é preciso enviar CPF, RG e histórico escolar para o e-mail [email protected]

Mais tempo para estudar
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Em tempos de pandemia, o desafio do Ceja Niterói é manter a assiduidade dos alunos na plataforma online. Os professores, que tinham carga horária de aulas presenciais, agora estão dando suporte 100% digital devido às medidas de isolamento social. O número de acessos tem aumentado a cada semana, com uma média de 30 a 40 estudantes usando a plataforma diariamente.
"A pandemia criou uma oportunidade. Quem é obrigado a ficar em casa tem mais tempo para estudar. Muitos têm dificuldade de acesso à internet, outros não possuem computador. A falta de estrutura dificulta, mas a plataforma funciona bem em celulares. No entanto, os alunos acima dos 50 anos não têm facilidade para acessar a plataforma e ainda sentem falta da sala de aula", explica Verônica Dias, diretora do Ceja Niterói.
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É o caso de Maria de Fátima. Apesar de toda a dedicação, ela não possui computador e não tem conseguido tirar as dúvidas que surgem na apostila de Matemática. Em quarentena, ela tem estudado sozinha e lembra com orgulho da nota 8.0 da última avaliação antes da suspensão das aulas presenciais. O curso de Informática, por enquanto, está adiado.
"Tenho dificuldade em Matemática. Por isso, deixei a matéria por último e estou evoluindo, aprendendo. Não tenho computador e estou estudando somente com a apostila. Esse é o lado ruim, pois ainda não temos uma previsão para a volta das aulas na escola. Mas não vou desistir", diz Maria de Fátima, que sonha em cursar a faculdade de Gastronomia.
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