Clube Central, na Praia de Icaraí, faz cem anos de história em Niterói

Comemorações do centenário deverão acontecer após o término da pandemia do novo coronavírus

Por Irma Lasmar

A terceira e atual sede do Central, na Praia de Icaraí, antes de ganhar a reforma que lhe dá o desenho atual
A terceira e atual sede do Central, na Praia de Icaraí, antes de ganhar a reforma que lhe dá o desenho atual -
Niterói - A dois meses de completar seu centenário, o Clube Central precisou adiar as comemorações em função da pandemia do novo coronavírus, mas planeja retomar seu calendário de eventos para acontecerem após o término da quarentena, como o tradicional Baile de Gala. Fundada em 18 de julho de 1920, esta agremiação social iniciou atividades em um casarão da família de Armando Carreira Lassance, situado na Rua Presidente Pedreira 65, no bairro do Ingá. Posteriormente, mudou-se para o prédio onde hoje funciona a Escola Estadual Aurelino Leal e, mais tarde, para o número 138 da mesma rua - sua primeira sede própria, em abril de 1921. Somente em fevereiro de 1932 transferiu-se para a mansão onde funcionou o Colégio Guanabara, situada na Praia de Icaraí 335. O endereço anterior serviu de residência ao deputado estadual Jayme Bittencourt entre as décadas de 1940 e 1950. 
Em sua segunda gestão como presidente, o almirante Gustavo Gurgulino de Souza demoliu o antigo imóvel para dar lugar à atual sede, conhecida como Palácio de Mármore, com projeto e execução do arquiteto Manoel Machado, sendo a obra concluída em julho de 1976, ocasião do 56º aniversário do clube, presidido por Rubens Maragno. Ainda na gestão dele, em 1981, foi inaugurado o Ginásio de Esportes em outro prédio, na Rua Coronel Moreira César 251, com espaço para as práticas de musculação, judô, jiu-jitsu, ginástica rítmica e basquete. Desde 2014, porém, passou a funcionar no prédio o Shopping Central Prime, inaugurado na presidência de Marcos Nelson. A sede defronte à praia tem quatro andares e oferece a seus 700 associados uma estrutura recreativa que inclui parque aquático, quatro saunas, salão de jogos com sinucas, salão nobre, wisqueria, auditório com 200 lugares, espaço jovem e um grande terraço, de onde se descortina a bela vista da Baía de Guanabara e da cidade do Rio de Janeiro.
Eleito em novembro de 2019 pelo Conselho Deliberativo para ser o presidente executivo do Clube Central em seu centenário, por sua relação histórica com a agremiação, José Roberto Leite já foi diretor e vice-presidente em gestões anteriores. Ele é o 31º a ocupar o cargo, assumindo a missão de retornar com o espírito familiar do clube e unir novamente os "centralianos". A Diretoria atual, aliás, espelha bem essa proposta: tem representantes da geração mais experiente, com José Roberto, de 76 anos, até a mais jovem, através do presidente do Conselho Deliberativo, Fernando Tinoco, de 35 anos. “Para mim é uma honra. Aceitei essa tarefa porque estou acompanhado de pessoas que também sentem esse carinho pela agremiação e acreditam na sua importância para a cidade. Apesar das dificuldades da pandemia, vamos superar e elevar ainda mais o potencial do Central em promover cultura, esporte e lazer”, afirma José Roberto Leite Lima.
Para vencer as dificuldades da pandemia, entre elas a redução do aluguel pago pela empresa arrendatária do Shopping Central Prime e a impossibilidade de alugar os salões de sua sede, foi criado o Comitê de Crise do Clube Central, coordenado pelo presidente do Conselho, no cargo desde 2017 e um dos mais jovens a frente deste que é considerado o mais importante setor da estrutura do local. “O Comitê de Crise existe para garantir o debate e a transparência na adoção de medidas urgentes de superação das dificuldades deste período. Temos nos dedicado bastante e, mesmo com as perdas, nós vamos conseguir oferecer cerca de 30% de desconto para os sócios durante três meses. Nossa meta sempre foi proteger o patrimônio do clube e valorizar o quadro social. O Central sairá fortalecido da crise graças ao esforço deste Comitê de Crise”, conta Fernando Tinoco, que conseguiu assegurar a adesão da agremiação ao Programa Empresa Cidadã, no qual a Prefeitura de Niterói irá garantir o pagamento de um salário mínimo para até 19 funcionários.

Comentários