No fluxo da covid-19

Presença do vírus na rede de esgoto aparece em 85% das amostras desde abril. Painel online mostra resultados

Por O Dia

O trabalho de combate à disseminação do novo coronavírus em Niterói não abre mão da ciência. Em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o município lançou ontem uma plataforma online para mapear a presença de material genético da covid-19 em amostras do sistema de esgotos da cidade. Todo cidadão niteroiense pode acompanhar os resultados do inovador projeto via internet, pelo seguinte link: https://arcg.is/0HXfXX. Atualmente, a média de amostras positivas da doença é de 85%. Os dados são utilizados para ações preventivas e de enfrentamento ao coronavírus.

"Os dados da pesquisa indicam a potencialidade da circulação do vírus nos pontos de coleta, que norteiam as ações de combate ao coronavírus. Um exemplo de ciência e ações publicas conectadas. O monitoramento é constante. São feitas três coletas em 12 pontos da cidade. Na comunidade Boa Esperança, antes de termos a notificação de casos, foi detectada a presença do vírus por meio da coleta e análise realizada pela Fiocruz", destaca Eurico toledo, secretário municipal de Meio Ambiente de Niterói.

Os números são baseados em dez semanas de coletas de amostras de esgoto bruto, entre 15 de abril e 16 de junho. A pesquisa realizada semanalmente por equipes da concessionária Águas de Niterói abrange 29 pontos estrategicamente distribuídos pela cidade. Além das quatro Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs), dois pontos de descarte de efluente hospitalar e rede coletora de esgotos nos bairros de Icaraí, Jurujuba, Itaipu, Engenhoca, Ititioca, Barreto, Várzea das Moças e Rio do Ouro. Também foram coletadas amostras nas comunidades do Palácio, Cavalão, Preventório, Vila Ipiranga, Caramujo, Maceió, Cascarejo, Morro do Estado e Boa Esperança.

A Secretaria municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão (Seplag), por meio do Sistema de Gestão da Geoinformação (SIGeo), foi responsável pela elaboração do painel. O objetivo é que a população acompanhe, em tempo real, o diagnóstico das amostras coletadas em relação à presença do vírus detectado em diferentes regiões do município. A pesquisa tem duração prevista de 12 meses. 

"Este tipo de vigilância apenas é possível nos municípios em que uma parcela significativa da população é atendida por rede coletora de esgoto e a operadora do serviço tem controle sobre o sistema. No caso de Niterói, a cobertura da rede de esgoto é de 95%. Esta é uma importante parceria entre a ciência e as políticas públicas que está ajudando a salvar vidas", destaca Valéria Braga, subsecretária de Projetos Especiais da Seplag.

De acordo com a subsecretária de Saúde de Niterói, Camilla Franco, os dados da pesquisa complementam a abrangente análise do quadro epidemiológico do município. "Os pontos de coleta priorizaram lugares de maior vulnerabilidade, como as comunidades. Desta forma, há possibilidade de indicar se há vírus presente e o quanto ele está presente entre uma coleta e outra. Isso possibilita ação pontual da atenção básica no território", frisa a subsecretária.

Melhor remédio: prevenção

Referência no tratamento da covid-19 no país, a prefeitura de Niterói tem conseguido minimizar o impacto da pandemia no município. Vinícius Lima, diretor de Atenção Coletiva Ambulatorial e de Família de Niterói destaca a eficacia do projeto em parceria com a Fiocruz na ampliação de ações no enfrentamento à doença na cidade.

"Além da massiva testagem em Niterói, elegemos pontos de coleta que indicam a presença e circulação do vírus. Com a identificação, o trabalho de combate e prevenção é feito, de porta em porta, com testes e um serviço de orientação das equipes de saúde e vigilância sanitária. Com vigilância, tentamos antecipar o contágio. Brincamos que só não identificamos o covid-19 no ar ainda", avalia Lima.

Chefe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz, a pesquisadora Marize Pereira Miagostovich está à frente do projeto de mapeamento do coronavírus na rede de esgoto de Niterói. "O aumento de detecção do genoma do novo coronavírus atingiu 97% de detecção nas amostras coletadas nas três primeiras semanas de junho", pontua Marize Pereira Miagostovich.

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