Chiquinho Brazão: 'Não vou abrir mão da nomeação para presidir a CPI dos Ônibus'

De acordo com o vereador Jorge Felippe, presidente da Câmara, manifestantes defecaram no Plenário. Tropa de choque da PM é chamada

Por cadu.bruno

Rio - Jornalistas e vereadores ficaram trancados na sala da presidência da Câmara Municipal, na manhã desta sexta-feira, após primeira reunião da CPI dos Ônibus. Manifestantes estavam do lado de fora da sala e batiam na porta tentando entrar.

Após mais de 30 minutos, um policial do 5º BPM (Praça Harmonia) intermediou a entrada de quatro representantes do grupo para conversar com os vereadores. 

Chiquinho Brazão (PMDB), eleito presidente da comissão, disse que não vai renunciar. "Não pretendo abrir mão da nomeação para presidir a CPI. Esse grupo que está na Câmara não representa a população, mas sim pessoas do PSOL", afirmou. A tropa de choque da PM foi chamada para o local.

Manifestantes protestaram contra eleição de Chiquinho Brazão para presidência da CPI dos ÔnibusSeverino Silva / Agência O Dia


De acordo com o vereador Jorge Felippe, presidente da Câmara, as audiências da CPI dos Ônibus continuarão sendo abertas ao público e deverão ser realizadas no plenário, que comporta até 300 pessoas. Segundo ele, a sessão desta sexta foi realizada no Salão Nobre porque manifestantes que deixaram a Casa, na madrugada, defecaram no plenário e não houve tempo para que a limpeza fosse feita.

O vereador Professor Uóston (PMDB) foi eleito relator da comissão. A nomeação de Chiquinho e Uóston causou revolta dos cerca de 50 pessoas que ocupavam o Salão Nobre e assistiam à sessão. Manifestantes que estavam do lado de fora da Câmara acessaram o local e invadiram o gabinete de Brazão, que foi pichado e depredado. Foram colocados cartazes com os dizeres "Fora Cabral" e "Nem todo mundo tem helicóptero". Por volta das 10h30, Câmara fechou as portas.

Manifestantes foram impedidos de entrar na Câmaras e portões foram trancadosSeverino Silva / Agência O Dia


Assim que os cargos da CPI foram divulgados, o público protestou e acusou os políticos de "golpe sujo". Brazão e Uóston não assinaram o requerimento de abertura da comissão e integram a base governista.

Eliomar Coelho (PSOL) foi o único dos cinco vereadores da Comissão que assinou o documento. Irritados, manifestantes invadiram o plenário e subiram nas cadeiras. Eles pedem que Eliomar assuma alguma das duas funções.

Eliomar Coelho, que propôs a CPI, disse que pediu a abertura da comissão por um "clamor das ruas" e vai conversar com a população para decidir se continua na CPI. Cerca de 40 pessoas estão do lado de fora da Câmara. Algumas pularam as grades que dão acesso ao local para entrar na Casa. Um dos portões foi quebrado.

Protesto termina em pancadaria

Protesto nas vias do Centro e nas casas legislativas do Rio acabou em pancadaria na Câmara dos Vereadores, depois de confusão na Alerj. Cerca de 20 manifestantes ocuparam a Câmara. Na porta, o coronel Marcos Paes, chefe de segurança do local, impediu a entrada da OAB e da Anistia Internacional, o que provou a revolta dos jovens que estavam do lado de fora. Houve confronto com a PM.

O grupo reivindicou a manutenção do vereador Eliomar Coelho na presidência da CPI dos Ônibus; a substituição dos outros quatro integrantes da comissão, que foram contra a instalação da CPI; e a transparência e divulgação de todos os atos.

Autor da proposta da CPI%2C Elimoar Coelho não conseguiu a presidência%2C que será ocupada por Chiquinho Brazão (sentado%2C à direita)Severino Silva / Agência O Dia


Os manifestantes que estavam lá dentro denunciaram que foram agredido e acusaram o deputado estadual Paulo Melo (PMDB) de ter ordenado que a PM agisse com truculência. A assessora do parlamentar negou a informação.

Antes disso, cerca de mil pessoas fizeram caminhada da Candelária à Cinelândia. Um integrante do grupo Black Block foi detido e liberado em seguida, depois que vidraça do prédio da empresa EBX, de Eike Batista, foi quebrada por pedrada na Cinelândia e agência bancária foi invadida.

Um assessor do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) foi agredido a socos. Freixo e outros deputados, que tentaram negociar com a direção da Casa, também foram atacados com gás de pimenta.




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