Manifestantes derrubam grades no Palácio Guanabara

Polícia reagiu com spray de pimenta. Protesto teve início nas ruas do Centro do Rio

Por julia.amin

Rio – A Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, virou uma praça de guerra ontem por volta das 21h, depois que cerca de 50 integrantes do grupo Black Bloc e outros manifestantes entraram nos jardins do Palácio Guanabara. Foram cercados pela PM, atiraram pedras, sinalizadores e rojões. A polícia usou bombas de efeito moral e spray de pimenta. Pontos de ônibus foram destruídos e lixeiras queimadas. O policiamento no local foi reforçado com o Batalhão de Choque.

Protesto 'Fora Cabral' seguiu em direção Palácio GuanabaraFernando Souza / Agência O Dia

Aproximadamente 250 manifestantes caminharam desde a Candelária até a Zona Sul no fim da tarde. Houve confronto em frente à sede do governo quando tentaram passar pelas grades que cercavam o palácio. Algumas destas cercas foram arrastadas pelo grupo para o meio da rua, que ficou interditada, assim como o Túnel Santa Bárbara. Até o fechamento desta edição, às 22h, não havia previsão de liberação.

O vice-governador Luiz Fernando Pezão aceitou receber no Palácio, ainda de noite, uma comissão dos professores em greve, que estava no grupo, para ouvir as reivindicações.

Reunião de CPI é adiada

A primeira reunião de trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus, que seria realizada nesta terça-feira, foi suspensa. A conferência desta segunda não contou com a presença do presidente da CPI, Chiquinho Brazão (PMDB), do seu relator, Professor Uóston (PMDB), e dos vereadores Jorginho da SOS (PMDB) e Renato Moura (PTC), todos integrantes da Comissão. Eles alegam falta de segurança.

A reunião durou cerca de 1h30 e 30 vereadores, dos 51 ao total, compareceram à Câmara. O vereador Eliomar Coelho (PSOL), idealizador do processo investigativo, foi convidado na última hora para o encontro com Jorge Felippe (PMDB), presidente da Câmara, e outros vereadores da Casa. Eliomar propôs a abertura da comissão para apurar a atual situação dos ônibus no Rio. A manobra para não deixá-lo assumir a presidência provocou a ocupação da Câmara por estudantes.

“Não deixa de ser uma vitória (a suspensão), mas as negociações têm que continuar. Do jeito que está não pode ficar. É inadimissível se instalar uma CPI sem subsídios mínimos e detalhes técnicos, para se cobrar os responsáveis pelo sistema de transporte”, disse Eliomar, após ser informado pela assessoria de Jorge Felippe, que a reunião de terça havia sido suspensa.

Eliomar acredita que esteja em curso uma espécie de golpe da base governista para que a CPI não avance em direção a resultados efetivos. Doze jovens permanecem dentro da Casa à espera de que suas reivindicações sejam atendidas. O clima ainda é tenso do lado de fora, onde parte dos mais de 200 ativistas tenta furar o bloqueio imposto por seguranças.

A manifestação ocupou por mais de uma hora a Avenida Rio Branco na altura da Câmara. Os ativistas se reuniram na Igreja da Candelária, fizeram o seguinte percurso: Avenida Rio Branco, Almirante Barroso, Presidente Antônio Carlos e Araújo Porto Alegre. A Rio Branco foi reaberta e alguns manifestantes caminham em direção à Zona Sul da cidade.

Durante a reunião desta segunda, os pontos reclamados pelos manifestantes não foram discutidos. São eles:
- Anulação da instalação da CPI dos Ônibus; (ocorrida hoje)
- Renúncia dos seguintes parlamentares membros da comissão: Chiquinho Brazão, Jorginho do SOS, Professor Uóston e Renato Moura;
- Participação da CPI dos Ônibus exclusiva para os vereadores que assinaram a instalação da comissão;
- Que o presidente da CPI seja o vereador proponente, no caso, Eliomar Coelho (PSOL);
- Que todas as reuniões sejam programadas e divulgadas com antecedência;
- Criação de uma Comissão Popular Parlamentar;
- Reforma do regimento interno da Câmara para que seja legitimado o protesto e sejam respeitados os direitos humanos fundamentais;
- Anistia dos presos políticos que foram processados criminalmente nos atos de protesto;
- Que a desocupação da Câmara Municipal ocorra respeitando a integridade física e jurídica dos manifestantes.

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