A 'vaquinha' do Anonymous

Grupo se mobiliza e paga fiança com ajuda de senhora. Dos 77 detidos, só um ficou preso

Por thiago.antunes

Rio - Dos 77 detidos nos protestos de sábado no Rio, apenas um permanecia preso na noite deste domingo. Wallace Vieira Santos, de 23 anos, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de uso restrito, no Largo do Machado, e encaminhado ao complexo penitenciário de Bangu. De acordo com a polícia, ele portava uma bomba e três sinalizadores. O mais curioso no rescaldo do protesto, no entanto, veio do grupo Anonymous Rio. Numa vaquinha virtual, com a colaboração de uma senhora, o grupo juntou R$ 1,5 mil para liberar outro jovem, preso na 12 ª DP (Copacabana) acusado de depredar patrimônio público.

Vidros de agências bancárias foram depredadasEstefan Radovicz / Agência O Dia

A informação foi dada, pelo telefone, por advogados da OAB que prestam atendimentos a manifestantes detidos. O cenário de devastação ontem de manhã era o mesmo de manifestações anteriores: agências bancárias depredadas, 16 pontos de ônibus e quatro relógios digitais quebrados, 64 lixeiras incendiadas, dezenas de placas de trânsito destruídos e imóveis pichados. Os conflitos deixaram 14 feridos em graviade.

Na Glória, na Zona Sul, vidros dos bancos Itaú e Santander foram estilhaçados. “Foi assustador. Da janela, vi vândalos agindo, sem qualquer repressão. Uma vergonha”, desabafou a esteticista Antônia de Souza Pires, 58. Ela contou que pagava aluguel em Copacabana, juntou dinheiro e comprou um apartamento na Glória. “Estou arrependida. Os criminosos fazem o que querem por aqui.”

Viva Cazuza pichada

Na Rua Pinheiro Machado, onde fica o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, baderneiros destruiram a entrada da Caixa Econômica Federal. Nos muros da Sociedade Viva Cazuza, que presta assistência a crianças e adolescentes soropositivas, bandos deixaram as inscrições “Não vai ter Copa” e “PM filha da p...”. Durante os confrontos, uma bomba de efeito moral teria explodido na sua sede, deixando três crianças desmaiadas. A administração negou.

Vizinho quer sair de Laranjeiras

Vizinho do Palácio Guanabara, local de trabalho do governador Sérgio Cabral, o bancário aposentado Gilimar Aragão, 63, disse que quer se mudar da região.
“Isso aqui virou terra de ninguém. É a terceira vez que eu não pude voltar para casa por causa desses bandidos (se referindo aos manifestantes rebeldes). Tive que ir para o apartamento da minha mãe, no Estácio, enquando minha mulher e minha filha, de três anos, ficaram trancadas no nosso prédio, em Laranjeiras. Estamos todos traumatizados, nos sentindo humilhados e impotentes”, disse Gilimar.

Sociedade Viva Cazuza foi pichada por vândalosEstefan Radovicz / Agência O Dia

Na Lapa, além de espalhar muito lixo, os bandos também quebraram vasos de flores na portaria de hotéis e restaurantes. “Virou rotina. Quando começa a correria, nós (comerciantes) temos que fechar as portas. Muitos saem sem pagar a conta. Os prejuízos são enormes com a perda de fregueses”, lamentou o dono de um restaurante na Rua Mem de Sá.

Solidariedade internacional

Um vídeo postado no You Tube por membros do Anonymous internacional prestou solidariedade aos administradores da página do grupo, presos na semana passada, em operação da Polícia Civil. Na postagem, um homem imitando um âncora de TV, com a máscara tradicional da organização, narra a prisão enquanto imagens do ato são transmitidas.

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