Polícia investiga se corpo em matagal é de Amarildo

Delegado diz que vítima foi torturada em Resende. Antissequestro pede foto para investigar

Por thiago.antunes

Rio - A Polícia Civil está investigando se é do pedreiro Amarildo de Souza o corpo carbonizado de um homem, que foi encontrado na tarde de domingo no bairro Montese, em Resende, Sul Fluminense. Num matagal com vestígios de fogo, a cabeça da vítima estava pendurada numa árvore pelo couro cabeludo, e o restante dos ossos, espalhado no chão. Amarildo, de 47 anos, morador da Rocinha, desapareceu dia 14 de julho, após ter sido levado por policiais para ‘averiguações’ na sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Nesta quinta-feira, o titular da Delegacia Antissequestro (DAS), Cláudio Gois, revelou ter solicitado fotos para investigações. “Não se pode descartar nenhuma hipótese. A investigação principal é da Divisão de Homicídios, e nossa intenção é contribuir de todas as formas para que o caso seja esclarecido”, afirmou Cláudio Gois. A DAS auxilia na investigação, feita pela Divisão de Homicídios.

Agentes da DH já vistoriaram a sede da UPP da Rocinha%2C para onde Amarildo foi levado antes de desaparecerMaíra Coelho / Agência O Dia

Alegando tratar-se de segredo de Justiça, a Polícia Civil evitou dar mais informações sobre o assunto, mas perícia confirmou que o corpo é do sexo masculino. De acordo com a 89ª DP (Resende), os restos mortais foram achados por um homem que passava pela via e acionou o 37º BPM (Resende). No dia 15 de julho, ele teve a atenção despertada pelo cão de estimação, que teria farejado fragmentos de ossos num matagal. A ossada continua no IML de Resende, aguardando exames complementares, como o de DNA.

Em entrevista no dia em que o corpo foi achado, o delegado da 89ª DP, João Dias, ressaltou que não é possível identificar a vítima, mas disse que a forma com que o crime foi cometido é diferente dos homicídios ocorridos na região. O policial afirmou não ter dúvidas de que o homem morreu sendo torturado naquele dia (15) ou na véspera, por causa do cheiro de queimado e pelo fato de o crânio ainda estar pendurado na árvore ao ser encontrado. “Nunca tivemos casos semelhantes a este na cidade, uma espécie de sentença do ‘tribunal’ do tráfico”, disse.

Dois policiais são do interior

Dois PMs investigados por envolvimento no desaparecimento de Amarildo são do interior do estado. Um deles é de Itaperuna, Noroeste Fluminense, e outro de Volta Redonda, região Sul, que fica a 40 quilômetros de Resende.

O inquérito sobre o desaparecimento de Amarildo deve ser concluído até terça-feira pela Divisão de Homicídios (DH). No início da semana, o delegado Rivaldo Barbosa deu um resumo sobre os fatos ao secretário de Segurança, Jose Mariano Beltrame.

Um dos suspeitos investigados, o ex-comandante da UPP da Rocinha, major Edson Santos, também pode responder por coação a testemunha. Ele teria prometido pagar aluguel a uma mulher para que ela culpasse traficantes.

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