Agentes da Lamsa e PMs fiscalizam vários pontos da via expressa, mas alguns veículos acabam escapando da blitz. Nas placas indicam a proibição de caminhões de passarem nos horários entre 6h e 10h e 17h e 20h, mas motoristas com veículos com pequena carga estão sendo parados. Enquanto isso, outros caminhões passam sem ser incomodados pela fiscalização, gerando revolta em quem fica no meio do caminho.
"Faço esse trajeto há três anos e nunca fui parado, meu veículo tem capacidade para carga de uma tonelada e meia e é uma caminhonete", reclamou Nailton Vieira, de 37 anos, que saiu da Penha em direção à Jacarepaguá com uma carga de cartazes. Segundo ele, no acesso a placa fala da proibição de caminhões e não outros veículos.
A Lamsa, concessionária responsável pela Linha Amarela, colocou, na manhã desta quarta-feira, uma equipe em sua Praça do Pedágio, na altura do bairro de Água Santa, na Zona Norte, para fiscalizar a via expressa e tentar coibir o tráfego de veículos de carga em horário proibido, um dia após um caminhão derrubar uma passarela e matar quatro pessoas, na altura de Pilares.
A fiscalização da Lamsa começou por volta das 7h, no entanto, desde as 6h, a equipe de O DIA 24 Horas pôde acompanhar, do Centro de Operações Rio, que veículos pesados trafegavam na via expressa em horário proibido. Pelos menos quatro caminhões foram vistos pelas câmeras da concessionária. Até as 7h40, três caminhões foram parados na blitz da Lamsa, sendo um modelo caçamba, outro de uma cervejaria e o terceiro de uma transportadora de mudanças.
No acidente, outras cinco pessoas ficaram feridas. O caminhão trafegava na Linha Amarela em horário proibido, às 9h12 da manhã, e derrubou a passarela, após passar com a caçamba levantada em um local onde o limite de altura era de 4,5 metros. O tráfego de veículos de carga é proibido na Linha Amarela entre 6h e 10h da manhã e entre 17h e 20h da noite.
PM diz que 'infelizmente' não houve tempo para impedir acidente na Linha Amarela
São 51 câmeras ao longo da via. Assim, a corporação é comunicada e há a intervenção. Segundo o BPVE “infelizmente”, não foi possível fazer o alerta em dois minutos — tempo que o caminhão trafegou na Linha Amarela. Segundo o BPVE, eles aplicaram, entre 2012 e 2013, cerca de 14 mil multas em caminhões. Destas, 6.576 foram na via. Adesivo da Prefeitura do Rio teria sido retirado do caminhão após acidente.
Celia Maria, de 64 anos, teria sido arremassada da estrutura até a pista. Já Adriano de Pontes Oliveira, 26 anos, foi jogado no Rio que fica entre os dois sentidos da Linha Amarela. Dois homens conseguiram resgatá-lo na água, mas ele não resistiu e morreu antes da chegada do socorro dos bombeiros.
Alexandre Almeida, cuja idade não foi divulgada, conduzia um táxi no sentido Barra da Tijuca e morreu no local, quando seu veículo foi esmagado pela passarela. Renato Pereira Soares, 62 anos, conduzia o Palio, placa KWH 1367, que trafegava no mesmo sentido do caminhão e foi atingido em cheio pela estrutura. No Palio, estavam dois colegas de trabalho que ficaram com ferimentos graves: Glaucia Andrade, 56 anos, e Luiz Carlos Guimarães, 60 anos.
Outro ferido, Jairo Zenatti, de 44 anos, conduzia uma moto, que derrapou e bateu na estrutura. Ele teve fraturas no braço, coluna e lesão no pulmão, mas não corre risco de morte e nem de ficar paraplégico. Liliane De Souza Rangel, de 33, atravessava também a passarela e teve fratura na Bacia. O motorista do caminhão, Luis Fernando Costa, de 30 anos, foi hospitalizado com ferimentos graves, mas não corre risco de morrer. Ele trabalha há seis meses na empresa e disse que estava a 85 km/h.
Houve falha mecânica, diz motorista
A polícia irá investigar se houve falha mecânica no acidente na Linha Amarela, ontem de manhã. A hipótese se baseia em uma conversa informal entre o delegado Fábio Asty, da 44ª DP (Inhaúma) e o motorista Luis Fernando Costa, 30 anos, à tarde, no Hospital Lourenço Jorge, na Barra, Zona Oeste, mas só poderá ser confirmada oficialmente com a conclusão da perícia (dez dias).




