Familiares e amigos realizaram um protesto durante o sepultamento do jovem no Cemitério do Pechincha
Familiares e amigos realizaram um protesto durante o sepultamento do jovem no Cemitério do PechinchaDaniel Castelo Branco / Agência O DIA
Por O Dia
Rio - Familiares e amigos de Jonathan Muniz Pereira, de 23 anos, realizaram um protesto durante o sepultamento do jovem no Cemitério do Pechincha, na Zona Oeste do Rio, na tarde desta sexta-feira. O rapaz, que trabalhava com reciclagem, foi morto a tiros durante uma abordagem policial em um dos acessos da comunidade Cidade de Deus. Na ação, o mototaxista Edvaldo Viana, de 41 anos, também foi baleado e não resistiu.
Ana Carolina Fernandes, prima de Jonathan, contou que ele enfrentava uma luta contra as drogas, mas não era envolvido com o tráfico na região. "Meu primo não era bandido, meu primo estava trabalhando na reciclagem. Meu primeiro tem família, meu primo não era bandido. Eles têm que acabar com isso. Pode ter errado, mas pagou pelo erro dele. Ele não era bandido. Ele era um garoto muito doce, muito tranquilo. Nenhum dos dois (eram bandidos), eles estavam nos seus ofícios e foram mortos cruelmente".
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"A gente não está morrendo mais de covid, é bala. Foi relatado que quando a polícia fez a abordagem, eles se renderam com as mãos para o alto mas, na hora de levantar a camisa o policial disse que viu uma arma e realizou o disparo. Não existe isso. Falaram que os cracudos pegaram a arma, que os cracudos pegaram os pertences, a polícia quer apenas desmantelar esse trabalho de segurança publica que só mata preto pobre e favelado. A bala da polícia selecionada as classes mais pobres da periferias e favelas", disse Pedro Henrique, ativista social do movimento Favelas na Luta.
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Familiares do mototaxista Edvaldo – que foi enterrado na quinta-feira (21), também foram ao sepultamento e pediram justiça. "A gente só quer justiça. Estão botando que ele estava com arma, ele não estava armado, ele estava trabalhando. Era a última corrida dele. Ele era trabalhador honesto, gente, não coloca ele como ladrão, como bandido. Ele não era isso e a revolta é essa. Se estava armado, cadê a arma?".
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A ação
Segundo vídeo feito por testemunhas, onde PMs aparecem arrastando o corpo do mototaxista e colocando dentro da viatura, os dois teriam sido atingidos por tiros de fuzis durante uma abordagem policial. Os agentes envolvidos prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Eles estão sendo investigados e um fuzis foi apreendido para realização de confronto balístico.
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O local onde os dois foram mortos também foi palco de uma outra tragédia há quatro meses atrás. Marcelo Guimarães, de 38 anos, foi a vítima. Ele foi assassinado por fazer a mesma bandalha (manobra de atalho) que Edvaldo, no dia 4 de janeiro. Na época, a PM informou que equipes realizavam um patrulhamento na região quando foram atacadas por bandidos e houve confronto.