Por paulo.gomes

Rio - Moradores da Favela do Mandela, onde contêineres da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) foram queimados nesta quinta-feira à noite, acompanharam nesta sexta o trabalho de limpeza do entorno, lidando ainda com algumas consequências do confronto, como a falta de luz. Cerca de 60 garis da Comlurb chegaram para varrer as cinzas, os destroços e o lixo deixado em toda a comunidade.

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"Ninguém conseguiu dormir na noite passada. Estamos em claro até agora. A confusão começou por volta das 6h da tarde e, depois que colocaram fogo aqui, acabou a luz e ninguém conseguiu dormir", conta uma moradora da comunidade que assistia ao trabalho de limpeza. "Teve tiro, pedrada, pau. Tudo o que encontraram pela frente, eles jogaram. Quem estava na rua, se escondeu dentro de casa até acabar, e muita gente acabou ficando na casa de parentes porque não tinha mais ônibus".

A Favela do Mandela amanheceu nesta sexta-feira com rastro de destruiçãoCarlos Moraes / Agência O Dia

Em outra casa, onde havia venda de sacolés, o trabalho só começou mais tarde, por causa da falta de luz: "Agora já estamos vendendo, mas só deu para ligar o freezer de manhã", disse a vendedora. Em uma loja de aparelhos eletrônicos, a única atendente trabalhava no escuro: "Estou vendendo, mas não passo cartão, nem tenho como fazer recarga de celular".

Na via principal da comunidade, parte do comércio estava fechada, mas, segundo os comerciantes que abriram, isso era normal: "Aqui é assim mesmo. Muitas lojas não estão alugadas e outras só abrem à tarde e à noite. Teve gente que não abriu por causa da falta de luz também. O açougue, por exemplo".

Policiais que faziam o patrulhamento na área também comentaram, sem se identificar, que a situação era tranquila no início da manhã desta sexta. Eles disseram que não houve mudanças na rotina um dia depois do confronto. Os contêineres incendiados foram retirados no início da manhã, e alguns moradores chegaram a tentar garimpar os escombros para encontrar materiais que pudessem ter valor.

Complexo de Manguinhos tem cenário de destruição%2C crianças sem aula e comércio fechado após ataque que destruiu base de UPPFotos%3A Carlos Moraes / Agência O Dia

Na Avenida Leopoldo Bulhões, onde houve um protesto na noite de quinta-feira, pedaços de vidro e cacos de garrafa ainda podiam ser encontrados. A manifestação era contra a desocupação de um prédio para obras do Programa de Aceleração do Crescimento, mas, segundo a Polícia Militar, criminosos se aproveitaram para promover os ataques.

Nesta sexta-feira, o policiamento segue reforçado e o clima tenso na Favela do Mandela. Parte da comunidade segue sem luz por conta do incêndio que atingiu dois contêineres da UPP na noite de quinta-feira. Eles já foram retirados por caminhões da Polícia Militar e de acordo com a Secretaria de Segurança, devem ser substituídos ainda nesta sexta. Uma força-tarefa com equipes da Light e Comlurb também estão no local.

Quase 4.000 alunos ficaram sem aulas na região

A Secretaria Municipal de Educação informou que quatro escolas, duas creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) estão fechadas na região de Manguinhos, fazendo com que 3.993 alunos estejam sem aulas por conta de violência. Parte do comércio local também estão com as portas fechadas.

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