Estupros em Rio das Ostras motivaram ritual onde mulher teve vagina costurada

Professor da UFF afirma que cinco alunas sofreram abusos na cidade nos últimos dois anos

Por thiago.antunes

Rio - Nos últimos dois anos, cinco alunas do campus de Rio das Ostras da UFF foram estupradas na cidade. É o que afirma o professor e chefe de departamento de Artes e Estudos Culturais da Universidade, Daniel Caetano. Segundo ele, o crescente índice de estupros no município litorâneo foi a principal motivação para que uma artista, durante performance, tivesse sua vagina costurada, de forma consensual, em evento ocorrido no campus na quarta passada.

O evento, organizado por alunos do curso de Produção Cultural, tinha a intenção de por em prática todo o conteúdo da disciplina 'Corpo e resistência', que tem manifestações artísticas como matéria de estudo. "Tudo que aconteceu na festa foram performances artísticas", afirma Daniel, que julga como descabidos o inquérito da Polícia Federal para apurar o caso e a posição do atual reitor da UFF, Sidney Luiz de Matos, que estimula denúncias sobre o caso, em nota publicada no site da Universidade.

"Não gostar, se chocar e, até mesmo, discordar das performances é natural. O que não podemos admitir é que nos proíbam de estudar nosso material de estudo", defende Daniel, que conta, ainda, que o evento não estava no caminho de ninguém . "Não houve violação a integridade física de ninguém. A liberdade de estudo acadêmico fica comprometida com esse tipo de criminalização", alerta.

Sobre a repercussão negativa do caso, o professor afirma que a interpretação dos presentes que divulgaram as imagens foi equivocada. "Muitos vão a festas em faculdades em busca de cerveja e pegação. Não era o intuito desse evento. Nosso estudo é muito sério", comenta. "Quem divulgou as imagens de forma maldosa provavelmente teve sua sensibilidade agredida. Mas o caso é que o evento aconteceu em um lugar reservado, não estava no caminho de ninguém", completa Daniel.

Estupros em Rio das Ostras

Outros professores do campus de Rio das Ostras apoiam a descriminalização do caso. Discente no curso de Serviço Social, Vânia Noeli Assunção, publicou, em seu Facebook, crítica a repercussão negativa que o evento teve. "O sexo está entre as questões que mais exaltam os moralistas hipócritas, mas sempre num sentido torto: uma vagina costurada consensualmente não choca tanto quanto várias dezenas delas violentadas brutal e cotidianamente, como acontece aqui em Rio das Ostras, por exemplo", escreveu Vânia.

No primeiro semestre deste ano, foram registrados 42% mais casos de estupros em Rio das Ostras do que o mesmo período do ano passado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública. “Já fizeram passeatas e bloqueio de estradas como protesto, mas a polícia não tomou providências efetivas”, reclama o professor

Reportagem de Ana Nascimento

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