‘Aezão’ não anima Queimados

A Baixada Fluminense é hoje uma das apostas para o crescimento de Aécio Neves no estado

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - De olho nos votos da Baixada Fluminense, terceiro maior colégio eleitoral do estado, o presidenciável tucano Aécio Neves deu nesta sexta-feira a largada de sua campanha no Rio, em caminhada por Queimados. Foi o primeiro evento de rua do ‘Aezão’, movimento liderado pelo PMDB que prega o voto no tucano e no governador Luiz Fernando Pezão.

Mas a festa de largada da campanha tucana não empolgou a população local. Sem Pezão, mas acompanhado do vice dele, Francisco Dornelles (PP), Aécio discursou para cerca de 300 pessoas, que não encheram o estacionamento do restaurante onde foi montado o palco.

Aécio disse que escolheu Queimados porque quer virar o jogo e conquistar a maioria dos votos na cidadeErnesto Carriço / Agência O Dia

A maior parte do público era de cabos eleitorais que, segundo apurou O DIA, receberam R$ 30 por quatro horas de trabalho. O presidenciável reclamou da saúde pública, da economia do país, afirmou que haverá segundo turno, declarou amor ao Rio e recebeu o título de cidadão queimadense.

“Não foi por acaso que escolhi Queimados. Na última eleição, o PSDB recebeu aqui apenas 12% dos votos e o PT, 55%. Vim porque quero virar o jogo e vencer”, disse. “Quem vence na Baixada, ganha as eleições”, emendou o ex-prefeito e candidato ao Senado, Cesar Maia (DEM).

Empatado tecnicamente pela primeira vez com a presidenta Dilma Rousseff em eventual segundo turno, segundo pesquisa do Datafolha, Aécio afirmou que o governo petista falhou e, por isso, perdeu a confiança. “A pesquisa confirma que teremos segundo turno”.

Segundo Aécio, o conjunto da obra do atual governo, “que falhou em todas as áreas”, tem levado ao sentimento de insatisfação e cansaço que se reflete nas pesquisas. “É sempre difícil disputar com quem está no poder e usa sem limites a estrutura pública em benefício de um projeto eleitoral, mas cada vez mais percebo que o sentimento é de mudança”.

Da Baixada, além de Max Lemos (PMDB), prefeito de Queimados, Nelson Bornier (PMDB), de Nova Iguaçu, apareceu, embora sempre tenha declarado apoio à reeleição de Dilma. Mas não quis discursar. “Max desde início participou desta articulação”, afirmou o tucano.

De acordo com auxiliares do prefeito, Aécio ofereceu a Max Lemos o Ministério dos Esportes, no segundo ano de seu possível governo. O deputado federal Leonardo Picciani assumiria a pasta até 2016, quando sairia para concorrer à Prefeitura do Rio. O candidato não confirmou a informação.

Tucano é desconhecido

Candidato, Aécio Neves caminhou pelo calçadão de Queimados e apertou a mão de moradores. “É candidato a prefeito?”, perguntou à reportagem Ribamar Lins do Carmo, 71 anos.

O aposentado disse nunca ter ouvido falar de “Aézio”, mesmo tendo diante de si as bandeiras partidárias e o carro de som. “Ah, eu só levanto daqui se for para falar com o Lula”, retrucou o aposentado, ao ser informado de que aquele poderia ser o próximo presidente da República.

Houve também tietes. Uma delas, a diarista Sandra Coutinho, empurrou, se apertou até que conseguiu tirar uma foto com o candidato, para recordação. “Eu vou guardar. Vai que ele é eleito e fica importante”, disse, sem se dar conta de que se tratava de um senador.

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