Empresário comprador de ingressos será investigado pela polícia

Flagrado em escutas na máfia dos ingressos, ele disse ter levado calote de Fofana

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Mais uma pessoa foi identificada nas interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça para investigar a máfia dos ingressos, e será investigada, afirma a Polícia Civil. O empresário Mauricio Francisco dos Santos, de 59 anos, prestou depoimento na sexta à tarde, na 18ª DP (Praça da Bandeira). A polícia quer saber se existe ligação entre ele e o francês de origem argelina Mohamadou Lamine Fofana, acusado de chefiar um grupo de cambistas que vendia ilegalmente entradas para os jogos da Copa do Mundo do Brasil.

Fofana é acusado de chefiar quadrilha que vendia ingressos na CopaSeverino Silva / Agência O Dia

O empresário, que atua na área de marketing esportivo, disse ter negociado a compra de quatro bilhetes para a decisão do Mundial com o francês em novembro do ano passado. “Não tenho nenhum envolvimento (com Lamine Fofana). Ele dizia ser de uma empresa credenciada e autorizada pela Fifa para vender ingressos. Estive com ele, sim. E cobrei inúmeras vezes. Infelizmente, acreditei na pessoa errada, e os ingressos não apareceram”, disse, depois de mais de três horas de depoimento.

O empresário afirmou ter pago 4,5 mil dólares por quatro entradas categoria 1, com acesso à final da Copa, no Maracanã. Maurício dos Santos foi mencionado em uma escuta telefônica autorizada pela Justiça entre Lamine Fofana e um cambista. O DIA teve acesso ao diálogo, ocorrido às 10h37 de 13 de junho — um dia após a abertura da Copa.

Na conversa, Lamine disse que Mauricio se irritou por causa de uma ligação não atendida. O cambista, não identificado, também disse ter conversado com o empresário. “Ele me ligou ontem e falou: ‘O Lamine... ele não tá me atendendo’. E eu falei: ‘Ô, Mauricio. O Lamine tá todo enrolado (...). E ele me disse que ele tá com os seus ingressos”, respondeu o cambista.

Na sequência, Lamine Fofana comentou com o cambista que iria entregar ingressos de um jogo da Argentina naquele dia.

À tarde, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Félix Fisher, rejeitou o pedido de liberdade provisória do inglês Raymond Whelan, que ficou conhecido como o ‘tubarão’ da Fifa durante as investigações.Ex-diretor executivo da Match Services, empresa com a exclusividade na venda de entradas durante os jogos do Mundial, Whelan é acusado de ser o principal fornecedor de ingressos à quadrilha. Com mandado de prisão preventiva decretado, ele se apresentou à Justiça na segunda-feira, depois de ser considerado foragido por quatro dias. O inglês está na Penitenciária Bandeira Stampa, em Bangu.

Whelan tinha dois ingressos para ver a final

Mesmo após ser preso pela primeira vez, na semana anterior ao término da Copa, Raymond Whelan pretendia assistir à decisão entre Alemanha e Argentina, disputada no último domingo, no Maracanã.
Agentes da 18ª DP encontraram dois ingressos em seu nome no quarto onde estava hospedado, no quinto andar do Copacabana Palace. Nas entradas de categoria 2, avaliadas em R$ 1.320 cada, estava escrito: “Ray Whelan, Fifa”.

O inglês deixou o local às pressas na semana passada acompanhado pelo advogado Fernando Fernandes, após a sua prisão ter sido decretada pela Justiça.

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