Grupos especializados em saidinhas de banco são suspeitos da morte de empresária

Quadrilhas investigadas por três delegacias da região são investigadas

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Quadrilhas especializadas em saidinhas de banco que atuam nas áreas das delegacias da Rocinha, Gávea e Leblon, na Zona Sul, são os principais alvos da investigação da Divisão de Homicídios (DH) sobre a morte da empresária Maria Cristina Bittencourt Mascarenhas, a Tintim, de 66 anos. Ela foi assassinada por assaltante na Praça Santos Dumont, na Gávea, quarta-feira.

Flores foram deixadas ontem no local onde ocorreu o assassinato%2C na Praça Santos Dumont%3A vizinhos prestaram homenagem e estão de lutoFabio Gonçalves / Agência O Dia

Agentes da DH ouviram o depoimento de seis testemunhas, e imagens de câmeras de segurança são analisadas. A polícia sabe que o autor do disparo é moreno claro, alto e usa barba ou bigode. Ele fugiu com R$ 13 mil, que serviriam para o pagamento de funcionários do Restaurante Guimas, do qual Tintim era sócia. Ela havia sacado esse valor pouco antes, por volta das 12h30, numa agência do Bradesco próxima.

“O trabalho de inteligência com informações da 11ª DP (Rocinha), 14ª DP (Leblon) e 15ª (Gávea), com o mapeamento dos criminosos já investigados por saidinha de banco, é muito importante”, afirmou o delegado Geniton Lages.

Nesta sexta-feira, o governador Luiz Fernando Pezão afirmou que pediu ao secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e ao chefe de Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, que todo o aparato policial seja usado para prender os criminosos.

“São facínoras que fizeram isso. É lamentável a banalidade da violência. Estou muito mal desde ontem (quarta-feira), chocado com mais uma morte. Seja por conta de uma senhora, ou policial assassinado, sinto como se tivesse um pedaço do corpo arrancado. Não mediremos esforços para prender esses assassinos”, afirmou o governador.

Tintim levou um tiro na cabeça%2C quinta-feira à tardeReprodução

Outra estratégia da Polícia Civil é o mapeamento de imagens captadas por câmeras de ruas que dão acesso e que foram usadas como rota de fuga no bairro da Gávea. Ontem, dois agentes da DH estiveram no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova, que recebe imagens de câmeras de batalhões, da Prefeitura do Rio e do Detran.

“Com a análise desse material, teremos condições de monitorar os passos dos criminosos”, explicou Geniton Lages, lembrando que a mesma forma de investigação ajudou a polícia a identificar os assassinos da juíza Patrícia Acioli, morta por policiais militares em agosto de 2011, em Niterói.

A empresária Maria Cristina foi emboscada por dois homens em uma moto. O piloto usava capacete (vermelho); o carona, não. Este último foi quem a atacou. Ele deu uma gravata em Tintim, que levou o tiro na cabeça por ter resistido a entregar a bolsa. Ontem, a partir de informações do Disque-Denúncia (2253-1177), agentes DH fizeram buscas na Rocinha, em São Conrado. Ninguém foi preso.


Centenas dão o último adeus no Caju

Com salva de palmas prolongada, centenas de parentes e amigos se despediram ontem, no Memorial do Carmo, no Caju, da empresária Maria Cristina Bittencourt Mascarenhas, cujo corpo foi cremado. Sem entender os motivos do crime, pessoas próximas a Tintim, como era chamada, cobraram respostas imediatas para o que classificaram como ‘covardia’.

“Nascemos e fomos criados no mesmo prédio em Copacabana. Éramos amigos de infância e ela era aquele tipo de pessoa que irradiava alegria. Foi uma covardia eles (bandidos) estarem com o produto do roubo e ainda a executarem. A resposta deve ser exemplar”, reivindicou o ex-secretário de Segurança Marcelo Itagiba.

A cerimônia foi reservada apenas a parentes e amigos. Sobre o corpo da empresária foram colocados um retrato da família e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Muito abalado, o marido de Tintim, Chico Mascarenhas, precisou ser amparado por amigos a todo instante. Ele se despediu da esposa com beijos. Os três filhos também estavam desolados.

Viúvo%2C Chico Mascarenhas (de óculos)%2C recebeu o carinho de amigos no CajuPaulo Campos / Agência O Dia

Estiveram presentes, entre outros, as cantoras Marisa Monte e Adriana Calcanhotto, os atores Roberto Bonfim e Hugo Carvana e proprietários de diversos restaurantes do Rio. “Temos que ter medo, sim, e todo mundo tem. Afinal, para fazerem o que fizeram, em plena luz do dia, com dezenas de câmeras e numa rua muito movimentada, eles têm certeza da impunidade”, enfatizou o deputado federal Miro Teixeira.


Número de roubos dispara na Gávea

O bairro da Gávea, onde a empresária Maria Cristina Mascarenhas foi morta, registrou, de janeiro a maio, mais que o dobro de assaltos a pedestres ocorridos no mesmo período do ano passado.Levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP) revela que, nos cinco primeiros meses de 2014, 167 pessoas foram roubadas enquanto circulavam nas ruas vizinhas e no entorno da Praça Santos Dumont, onde ocorreu o assassinato. Nos cinco primeiros meses de 2013, 80 vítimas de roubos registraram os casos na 15ª DP (Gávea), um aumento de mais de 108%.

Visivelmente abalados%2C os atores Hugo Carvana (E) e Roberto Bonfim deixam o Memorial do CarmoPaulo Campos/Agência O Dia

A estatística do órgão estadual também revela crescimento do crime em toda a Zona Sul e Centro, áreas onde há grande concentração de pedestres. Na primeira região, as sete delegacias, do Catete a Gávea, registraram um total de 1.689 roubos a pedestres. No ano passado, o índice de janeiro a maio não passou de 1.107 casos.

No Centro, os números são ainda mais alarmantes. As quatro delegacias da região somaram índice quase 30% maior de roubos a pedestres que no ano passado. Foram 1.754 casos de janeiro a maio de 2014, contra 1.523 em 2013. A Capital aparece na estatística do ISP com 16.940 casos este ano.



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