MP denuncia três PMs por estupro de moradoras do Jacarezinho

Policiais da UPP da comunidade foram presos em flagrante no dia 5 de agosto e reconhecidos pelas vítimas

Por paloma.savedra

Rio - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou, nesta sexta-feira (15/08), três policiais militares da UPP Jacarezinho acusados pelo estupro de três moradoras da comunidade - duas jovens de 35 e 18 anos e uma menor de idade, de 16. Gabriel Machado Mantuano, Anderson Farias da Silva e Renato Ferreira Leite foram presos em flagrante pela suposta prática do crime. Wellington de Cássio Costa Fonseca também foi preso e apontado inicialmente como um dos criminosos, porém, não foi denunciado pelo MP.

O promotor de Justiça Paulo Roberto Mello Cunha Júnior, da 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar, defendeu que, por demonstrarem comportamento violento e personalidade distorcida, os PMs representam evidente risco à ordem pública.

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PMs envolvidos em denúncia de estupro no Jacarezinho podem ser expulsos. “Percebe-se facilmente que a conduta bárbara dos denunciados, digna da Waffen-SS nazista, teve como único objetivo vingar-se cegamente do fato de terem sido, momentos antes, hostilizados por usuários de drogas, vulgo “cracudos”, humilhando, agredindo, e violentando quem bem entendessem”, escreveu Paulo Roberto. Na denúncia, o promotor requer ainda que outras 11 testemunhas sejam intimadas para depor em juízo.

Os policiais da UPP Jacarezinho deixaram a 25ªDP (Engenho Novo) na madrugada desta do dia 6 de agosto e foram encaminhados para o Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica Paulo Araújo / Agência O Dia

Quatro vítimas relatam momentos de horror

O drama relatado pelas três moradoras do Jacarezinho teve início na madrugada de 5 de agosto, na casa de uma amiga que mora próximo ao viaduto da comunidade. Após tentarem resgatar sem sucesso a irmã da mais velha, que permanecia há pelo menos três dias na cracolândia da favela, elas decidiram então fazer uma visita à colega.

Quando assistiam à TV, o grupo de quatro policiais obrigou as quatro, incluindo a dona da casa, e um outro homem, a entrar em um barraco, onde todos teriam sido agredidos. Em seguida, apenas as três foram conduzidas a um beco escuro, onde foram obrigadas a retirar as roupas sob ameaças de morte. Já nuas, elas teriam entrado em um outro barraco vazio.

Com os celulares ligados, três acusados mandaram as vítimas introduzirem um isqueiro e uma caneta pilot nas partes íntimas. Duas meninas também teriam feito sexo oral em um mesmo policial. Por fim, após os atos, uma das vítimas também foi obrigada a fazer sexo oral sem camisinha. Substâncias similares a esperma foram recolhidas no local.

Policiais militares da UPP Jacarezinho comparecem à 25ª DP (Engenho Novo) no dia 6 de agosto para reconhecimentoFernando Souza / Agência O Dia

De acordo com o depoimento de uma das vítimas, um dos policiais não participou diretamente do ato. Os quatro foram presos e encaminhados para a Unidade Prisional da Polícia Militar (antigo Batalhão Especial Prisional), em Benfica.

Os crimes dos quais os PMs são acusados teriam ocorrido perto da linha do trem, onde viciados se concentram para consumir a droga. Após a denúncia feita na 25ª DP (Engenho Novo) ainda na madrugada do dia 5 de agosto, todos os 67 PMs que estavam de plantão foram levados à delegacia.

Beltrame solicita expulsão de PMs

O secretário de Segurança José Mariano Beltrame afirmou que iria solicitar a expulsão sumária dos PMs envolvidos no estupro de mulheres na UPP do Jacarezinho. Em nota, o secretário pediu desculpas às vítimas e aos familiares "por um crime que causa repulsa. As circunstâncias das denúncias contra agentes do Estado só agravam o que já é muito grave. Infelizmente, a polícia não está imune de admitir em seus quadros pessoas que vão trair a missão de servir e proteger", revela o documento.

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