Mais Lidas

Bombeiros seguem procurando corpos de jovens que se afogaram na Zona Sul

Militares buscam corpos de dois adolescentes, de 15 e 16 anos. Nesta segunda-feira, corpo de fisiculturista que morreu após mergulhar em praia de Niterói foi identificado no IML

Por tiago.frederico

Rio - Bombeiros do Grupamento Marítimo de Copacabana seguem procurando, na manhã desta terça-feira-feira, os corpos de dois adolescentes que desapareceram no último domingo na Praia de São Conrado, na Zona Sul da cidade. As vítimas, um adolescente de 15 anos e uma jovem de 16 anos, se afogaram quando tomavam um banho de mar.

De acordo com os militares, ainda no domingo, uma terceira vítima, uma adolescente de 15 anos, foi resgatada pelos militares e encaminhada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Os trabalhos de buscas também aconteceram nesta segunda-feira. De acordo com o Corpo de Bombeiros, participam mergulhadores, motos aquáticas, bote de salvamento e aeronave da corporação são utilizadas nas buscas.

Corpo de fisiculturista é identificado no Instituto Médico Legal

O corpo do fisiculturista e assistente administrativo Daniel Lopes, 25 anos, foi reconhecido por volta das 21h desta segunda-feira pela irmã, Michele Lopes, no IML (Instituto Médico Legal). Daniel estava desaparecido desde domingo, quando pulou no mar durante a festa Hepa OnBoard em um barco. Ele e um amigo pularam quando a embarcação, que saiu da Marina da Glória, na Zona Sul do Rio, passava pela praia de Jurujuba, em Niterói. De acordo com a irmã do rapaz, Michele Lopez, o jovem não sabia nadar. No final da tarde desta segunda-feira o corpo foi encontrado pelo 4º GMar (Grupamento Marítimo) de Itaipu.

Foto tirada momentos antes do mergulho dos amigos André Phelipe (esquerda) e Daniel Lopesarquivo pessoal

No dia do afogamento, o amigo de Daniel ainda conseguiu puxar o jovem pelo braço por duas vezes, mas não teve forças para mantê-lo à tona. A irmã do jovem reclama a ausência de um esquema que garantisse a segurança dos ocupantes do barco durante o evento. "Pelo que o amigo dele me contou, nenhuma pessoa do barco pulou para ajudar. O socorro do Corpo de Bombeiros demorou mais de uma hora para chegar. Não havia ninguém no barco habilitado para prestar socorro. E numa festa no mar, todos deviam estar com o colete no corpo. Sei que as pessoas que estavam no barco eram maiores de idade, mas, da forma como tudo ocorreu, é a mesmo que pegar um avião de porta aberta", disse.

Daniel Lopes morreu aos 25 anosReprodução Facebook

O organizador da festa, Michael Rodrigues, afirmou que a segurança para a realização do evento foi garantida. "O barco passou por inspeção da Marinha e estava habilitado. O capitão, no ínício da festa, avisou às pessoas da presença de coletes salva-vidas e de boias para quem quisesse mergulhar. Além disso, o barco, que tem capacidade para 120 pessoas, contava com 80 convidados da festa além do staff da organização, portanto abaixo da capacidade máxima autorizada. Assim que o acidente aconteceu, o som do barco foi desligado até a chegada dos Bombeiros. Assim que o barco foi liberado para voltar à Marina da Glória, o procedimento de retorno foi feito e a festa encerrada", assegurou.

Por volta das 19h30, a reportagem do DIA conseguiu falar com o amigo de Daniel. De acordo com André Phelipe Ribeiro, 28, as pessoas na festa foram avisadas da existência dos coletes e das boias, conforme disse o organizador da festa. No entanto, ele contestou a informação de que o barco voltou para a Marina da Glória com o som desligado. "A festa recomeçou assim que o Corpo de Bombeiros liberou o barco e continuou até a chegada da Marina da Glória". Para a irmã do fisiculturista, o recomeço da festa foi um "ato desumano". "Uma pessoa que vê um problema desse e dá continuidade ao evento é uma pessoa sem coração", disse ela. Na página da Hepa OnBoard no Facebook, frequentadores da festa afirmaram que o som voltou a ser ligado.

Na versão do amigo, Daniel pulou ao ver uma amiga da dupla que não sabia nadar também entrar no mar. "Foi tudo muito rápido, acho que ele confiou que dava para ficar na água porque uma amiga nossa conseguiu ficar na água. Eu ainda consegui puxá-lo por duas vezes, mas ele começou a se debater muito e acabou afundando", relatou.


Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia