Agetransp conclui que choque entre trens foi causado por falha humana

Colisão deixou mais de 250 feridos na estação Presidente Juscelino, no ramal Japeri da SuperVia. Multa ultrapassa R$ 1 milhão

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - ? ?A Agetransp divulgou nesta quinta-feira a aplicação de multa no valor de R$ 1.205.167, 09 à concessionária Supervia pelo acidente que deixou  feridos na estação Presidente Juscelino, no ramal de Japeri da Supervia. A colisão ocorreu no último dia 05 de janeiro. A análise da agência descartou qualquer possibilidade de falha mecânica no momento em que o acidente aconteceu e apontou o excesso de velocidade de um dos trens provocado pelo condutor como a razão do choque. 

De acordo com a nota técnica, houve violação da sinalização automática por parte do trem no trecho entre as estações Mesquita e Presidente Juscelino, causando o choque deste trem com a a outra composição parada na plataforma da estação Presidente Juscelino. Segundo o relatório, o trem deveria ter saído de Mesquita em velocidade restrita, obedecendo ao sinal amarelo na saída da plataforma, e parado no próximo sinal, antes da estação Presidente Juscelino, o que não ocorreu.

A colisão deixou mais de 250 pessoas feridas.Foto de leitor via WhatsApp do Dia (98762-8248)

Para a Procuradoria Geral da Agetransp, a concessionária deve ser responsabilizada independentemente de o acidente ter ocorrido por falha humana de um de seus funcionários. Sob o prisma jurídico, a procuradoria entende que houve descumprimento contratual por parte da SuperVia, que violou os princípios de regularidade, continuidade, eficiência e, principalmente, de segurança da operação, permitindo a aplicação da penalidade de multa.

De acordo com o relatório da agência, todas as circunstâncias relativas ao choque entre as composições de prefixos UP223 e UP221, tais como condições meteorológicas, meios, sistemas e equipamentos, procedimentos operacionais e fator humano foram analisadas. A apuração concluiu como causa do acidente o descumprimento de procedimentos operacionais de segurança relativos ao tráfego ferroviário.

 Passageiros reclamaram de falta de orientação

De acordo com o relato de passageiros, o acidente ocorreu por volta das 20h30. O consultor de projetos Daniel Ávila, de 27 anos, estava na composição que bateu no trem que estava parado e contou que o impacto não foi grande, pois estavam em pequena velocidade. “Mais ou menos, uns 20 quilômetros por hora. Mesmo assim, tive arranhões no braço e no rosto. O trem estava bem lento, senão morreria todo mundo”, contou o consultor.

De acordo com ele, a composição seguia lentamente bem antes da batida. “Ficou meia hora parado em Nilópolis e depois seguiu, bem devagar. Quando estava chegando a Juscelino, chocou-se com o outro. Abriram as portas e tivemos que pular. Disseram que o maquinista saltou antes de se chocar. Algumas pessoas ficaram muito nervosas e desmaiaram”, detalhou Daniel.

Mais de 250 pessoas ficaram feridas na colisão entre os trens na Estação Presidente Juscelino%3A elas prestaram queixa na delegacia de MesquitaMaíra Coelho / Agência O Dia

Ainda segundo o passageiro, os funcionários da empresa não prestaram a devida assistência e muita gente foi obrigada a caminhar pelos trilhos, sem nenhuma ajuda. “Tivemos que descer no meio dos trilhos e subir a plataforma. O pessoal ficou revoltado, porque não aparecia ninguém para ajudar”.

Por volta de 21h20, a Supervia reconheceu que houve colisão entre as duas composições informou que técnicos foram apurar as causas do incidente e dar a assistência necessária aos passageiros. A empresa também disse, em nota que acionou o Corpo de Bombeiros e a PM, mas ainda não haá previsão para a liberação do ramal Japeri. Em Deodoro, houve confusão para que a passagem fosse devolvida. A assessoria da SuperVia chegou a publicar no Twitter que a interrupção do ramal teria sido por causa de falta de energia devido à chuva.

Com informações de Flávio Araújo







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