Cinco anos após tragédia, moradores voltam ao Morro do Bumba, em Niterói

Associação de Vítimas calcula que 30 famílias ainda moram em área de risco mesmo após terem as casas interditadas

Por nicolas.satriano

Rio - Cinco anos depois do deslizamento que deixou dezenas de mortos no Morro do Bumba, em Niterói, parte das pessoas atingidas pela tragédia não conseguiu nova moradia definitiva e algumas ainda moram em áreas de risco no próprio Morro do Bumba.

Segundo a Associação de Vítimas do Morro do Bumba, 30 famílias continuam a viver no local mesmo com as casas interditadas. A família do porteiro Vinicius Silva é uma das que voltaram para a área de risco. Sua casa não desabou no deslizamento, mas foi condenada pela Defesa Civil do município. “A gente mora na mesma casa, porque não tem como sair daqui com R$ 400 (valor do aluguel social pago Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos). Um quarto para morar com a minha mulher e um casal de filhos em São Gonçalo custa, no mínimo, R$ 700, fora água, luz, gás. Só eu trabalho, e não temos possibilidade de pagar isso”, reclamou.

Cerca de 30 famílias ainda vivem em área de risco no Morro do Bumba, em NiteróiAlexandre Vieira / Arquivo Agência O Dia

A costureira Dima Cabral, de 66 anos, recebe o aluguel social, mas também não conseguiu sair do Morro do Bumba com a filha e a neta, que se mudaram para a casa dela depois da tragédia. A casa das duas ficava ao lado, e mais perto de um barranco com risco de deslizar. “Se você me disser onde tem uma casa por R$ 400 de aluguel, eu fico feliz. Minha filha não recebe o aluguel social e veio morar comigo, e não temos condições de ir para outro lugar. Os preços sobem todo ano, e o aluguel social, não”, alegou Dima.

Segundo a Prefeitura de Niterói, 30 famílias do Morro do Bumba estão entre as 2.859 em toda a cidade que ainda recebem aluguel social e aguardam a entrega de apartamentos de programas governamentais para fazer a mudança. Já Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos afirma que o total é de 2.285.

De acordo com a prefeitura, até junho, serão entregues 372 unidades habitacionais e, no segundo semestre, mais 1.472 moradias em toda a cidade.

Com reportagem da Agência Brasil

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