Segurem as coleiras: cães de raça na mira de ladrões

Casos de roubo no Rio e em Niterói preocupam os donos e as autoridades

Por O Dia

Rio - Depois da onda de roubos a bicicletas, um novo crime vem assustando a população: cachorros de raça são o alvo da vez de assaltantes do Rio e Niterói. Em menos de 48 horas, dois animais foram levados em pontos distintos: um em Piratininga, Região Oceânica de Niterói, e outro em Copacabana. As ações, comuns em outras regiões do Brasil, ligaram o alerta sobre a venda clandestinas de animais e reacenderam a discussão sobre a criação de uma delegacia específica no combate a crimes contra os animais.

“A Mel dormia e acordava com a minha filha mais velha. Ela está arrasada, muito triste. Mas, apesar de tudo, ainda temos esperanças de reencontrá-la”, afirma Bianca Nicolai, de 39 anos. A casa da jornalista foi invadida por bandidos na última terça-feira e, além de R$ 10 mil em equipamentos eletrônicos, a cadelinha da raça yorkshire também foi levada pelos assaltantes. Hoje, a vítima deve espalhar cartazes pela cidade com foto e telefones de contato. Agentes da 81ª DP (Itaipu) também tentam descobrir o paradeiro da cadela.

A shih tzu Alice (à esquerda) e a yorkshire Mel foram roubadas por bandidos. A dona da segunda cadela vai espalhar cartazes à sua procuraDivulgação

Nesta quinta-feira, no Posto 5, na orla de Copacabana, a pequena Alice foi raptada em seu primeiro passeio na rua. A dona foi surpreendida por dois jovens que pegaram a cadela da raça shih tzu, de quatro meses, quando ela urinava, e saíram correndo. Pelas redes sociais, a vítima desabafou: “Uma senhora veio me ajudar a levantar e disse que estão roubando cachorrinhos de raça para vender. Que mundo é esse?”.

Com medo, Letícia Dornellas preferiu não registrar ocorrência. Na delegacia da área, casos semelhantes não foram relatados aos policiais, apesar do temor espalhado pelo bairro. A promotora de Justiça Christiane Monnerat, que atua no Rio na área de proteção e defesa dos animais, atrela os casos recentes à evolução do valor patrimonial dos bichos. “Eles (bandidos) sabem quais cachorros são caros. Mas o que temos mais são casos de estelionato, onde as pessoas são enganadas. Há um ano, conseguimos criar um núcleo de atendimento específico na DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente). Lá o trabalho é diferenciado, criterioso. Mas nem tudo vai para lá. Talvez a delegacia específica seja uma solução”, defende a promotora.


Alvos em outras cidades do país

Roubos de cães de raça têm sido cada vez mais frequentes em várias regiões do Brasil. Há alguns anos, em Belo Horizonte, bandidos armados passaram a adotar a modalidade de crime e provocaram um repentino crescimento de casos. Em 2011, só na capital mineira, foram registrados 2.232 roubos.
Já em março deste ano, Brasília viveu uma onda parecida. Em apenas um fim de semana, três bichos de estimação foram levados em ações durante passeios.

Em São Paulo, o interesse por raças nobres voltou a ser notícia semana passada. A devolução de um cão, que havia sido levado por bandidos, evidenciou a venda de animais em feiras clandestinas. O bichinho só voltou para seu antigo lar graças à consciência de uma mulher, que, após comprar o animal em uma feira, descobriu que ele era fruto de roubo. Ela então fez contato com a dona. “Três homens em um carro quebraram a costela do meu pai e levaram o Marley. Depois recebi a ligação”, contou a balconista Roberta Vicente.

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