Vigas da Perimetral são usadas em obra da Tijuca

Estruturas que não foram roubadas trouxeram economia para o Piscinão da Tijuca

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Depois de ter sido colocada abaixo, a Perimetral ainda tem função na cidade. Mais de 100 vigas que foram retiradas do Elevado estão sendo reutilizadas nas obras dos reservatórios da Grande Tijuca. A implantação da estrutura gerou economia de R$ 52 milhões aos cofres públicos. Todo o programa de controle de enchentes estará pronto no ano que vem.

“Se a prefeitura tivesse de comprar novas vigas, gastaria muito mais. Nossa despesa é apenas com a logística de transporte”, ressaltou o secretário municipal de Saneamento e Recursos Hídricos, Pierre Batista. O gasto com o transporte das estruturas de ferro é de R$ 13,5 milhões, o que representa uma redução de 74% no valor final da obra.

Com variação de 26 a 42 metros de comprimento e 1,50 metro de altura, as vigas de aço fabricadas na década de 70 pela Companhia Siderúrgica Nacional foram tratadas e recuperadas para o novo uso. As estruturas fazem parte da sustentação das lajes que tamparão o reservatório, possibilitando que estas áreas sejam utilizadas novamente como espaços de lazer ao final dos serviços.

As vigas da Perimetral formam a estrutura superior do piscinãoErnesto Carriço / Agência O Dia

A partir de outubro, os três reservatórios com capacidade para armazenar 58 milhões de litros, entrarão em funcionamento na Praça Niterói. Na obra, 58 vigas foram utilizadas. Já o Piscinão da Praça Vanhargem, com armazenamento de 45 milhões de litros, será entregue em junho do ano que vem, junto com a obra do Rio Joana, que vai escoar toda água da chuva direto para Baía de Guanabara.

“Quando todo o sistema estiver pronto, não teremos mais o grande problema de enchente naquela região”, garantiu o secretário. Além das praças, o reservatório da Rua Heitor Beltrão, também receberá as vigas. Lá, serão implantadas 54 estruturas de ferro.

O programa de controle de enchentes da Tijuca teve seu primeiro piscinão inaugurado no ano passado. O reservatório da Praça da Bandeira tem capacidade para 18 milhões de litros e 20 metros de profundidade. Em março, o bairro passou pelo primeiro teste, após fortes chuvas. Na época, não foram registrados alagamentos. Ao todo, o custo do projeto dos piscinões foi de R$ 655 milhões, divididos entre prefeitura e governo federal.

Mistério continua após 2 anos

Enquanto o que sobrou da Perimetral está sendo reutilizado em obras da prefeitura, a Polícia Civil ainda investiga o roubo, ocorrido em agosto de 2013, quando cinco vigas foram retiradas do depósito. O inquérito, que corre pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) ainda não tem data para ser encerrado.

Depois de ouvir mais de 40 testemunhas, entre funcionários da prefeitura e empresas terceirizadas, e não ter localizado os responsáveis pelo roubo das vigas, o titular da DRF, Márcio Braga, adotou outra forma de investigação. “Agora estamos fazendo o inverso. Pedimos quebra de sigilo bancário de diversas empresas citadas no inquérito para apurar se houve registro de algum pagamento suspeito”, explicou o delegado.

De acordo com o titular, o material roubado foi avaliado em R$ 60 mil pela perícia da Polícia Civil, diferente do apontado pelo Conselho de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ), na época, no valor de R$ 14 milhões. A conclusão da derrubada da Perimetral, em dezembro, culminou na retirada de 1.008 vigas. Deste total, 731 foram leiloadas por R$ 7 milhões. O restante também foi reutilizado em outras obras da Zona Portuária.

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