Jaguar: Num bar que inexiste

Vou tentar contar essa história meio maluca, como tantas em que me meti na vida

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Nem o bar nem o verbo inexistir, invenção de Paulo Francis que ele usava quando queria dizer que alguma coisa não existe. Como certas leis, não ‘pegou’. Mesmo assim, foi feita uma ata de Fundação da Cobal do Alto, cujo verdadeiro nome é Bar do Horto, no Hortomercado de Itaipava. Vou tentar contar essa história meio maluca, como tantas em que me meti na vida. Era uma birosca que vendia cachaça para os peões da obra do Mercado. Me lembrei por causa do Hugo Carvana, que deu uma de falso malandro e furou a fila (tinha cinco anos a menos que eu quando pediu o boné e se mandou). Há 18 anos a gente, que subia a serra nos fins de semana, começou a frequentar o lugar. Levávamos uísque e gim e até ensinamos Daniel, filho do Seu Manuel, dono do lugar, a fazer dry-martíni, gim-tônica e Bloody Mary.

A ata não poderia estar em melhor lugar: no tampo de uma das mesas (repare nas marcas dos copos) do Cobal do Alto, que sempre se chamou Bar do HortoReprodução

O prefeito de Petrópolis — Itaipava é distrito da cidade imperial — deu força e autorizou a construção de um puxadinho, onde cabia um monte de mesas (antes só tinha duas). Lotou geral, foi um tremendo sucesso. Seu Manuel passou a faturar num sábado o que ganhava num mês. Houve até inauguração, com direito a cortar fita e ata de fundação escrita em português castiço pelo Carvana, que tinha o lido os clássicos, mas escondia sua cultura para não desmoralizar a imagem de malandro carioca. Ei-la, na íntegra: “Saibam todos que no santo dia de l9 de julho de 1997, nas veredas do velho caminho das Minas Geraes, foi fundada esta taberna, que leva o nome de Cobal do Alto, constituída por amazonas e cavaleiros, ajuntados em torno de duas távolas quadradas, sob a nobre inspiração do poeta maior Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.

Benvindos (sic) os que aqui aportarem, sabendo que as beberagens serão fartas, as mulheres, bonitas (e não muito exigentes...) e a lhaneza de Manuel, o estalajadeiro de Beira Alta, sempre presente no Hortomercado de Itaipava”. Assinaram o documento histórico, entre outros, Hugo Carvana, o autor do texto rebuscado, e Martha Alencar, Paulo Casé e Guga, eu e Célia (que fez a diagramação), Beto Sardinha e Marisa, Germaninho (dono do hotel arquitetado pelo Casé) e o Lan, com o de acordo do Seu Manuel. A ata não poderia estar em melhor lugar: no tampo de uma das mesas (repare nas marcas dos copos) do Cobal do Alto, que sempre se chamou Bar do Horto. Nunca consegui sentar nela: é a mais requisitada.

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