Editorial: Considerar em vez de desqualificar

Insistir na ridicularização do discordante é manter o país na inércia política e econômica que se arrasta há um ano

Por thiago.antunes

Rio - O Brasil já deveria ter passado da fase das pinimbas e entrado para valer na aplicação da agenda positiva. Em vez de debater soluções e trabalhar para tirar o país da depressão, muitos gastam saliva e Internet para desqualificar o outro. Quando não é a querela sobre tamanho da manifestação, como se a pauta de mil fosse menos importante que a de um milhão, é o julgamento sobre ‘quem’ protesta.

Nas últimas horas, houve esforço para deslegitimar ideologias, sempre na galhofa resvalada no desrespeito. Força-se a tese de uma suposta ‘luta de classes’, quando sabidamente os desacertos do governo afetam o país como um todo, sem exceção. Discurso que desagrega tanto quanto desvia o foco.

É preciso, dos dois lados, descontar histerias e alucinações de praxe — como bradar pela volta da ditadura —, mas há que se admitir que milhões estão descontentes. Insistir na ridicularização do discordante é manter o país na inércia política e econômica que se arrasta há um ano. É tempo de superar o atraso.

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