Clarissa Garotinho: Gravidez nos tempos de zika

A luta contra o Aedes aegypti é de todos, mas a maior angústia está no coração das grávidas brasileiras

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Sempre sonhei em ser mãe e vivenciar em minha gravidez histórias que ouço de minha mãe, de amigas e de mulheres da minha família. São experiências lindas, com algumas preocupações, alguns cuidados, muitas descobertas e transformações. Um momento mágico, quando conhecemos um amor infinito. Porém, as grávidas da atualidade estão passando por um pesadelo interminável chamado Zika vírus.

Como amplamente divulgado pela mídia, pesquisas nacionais e internacionais já comprovaram a ligação entre o Zika vírus e a explosão de casos de crianças nascendo com malformações como a microcefalia e a hidrocefalia, além de outras patologias que mudarão a vida de famílias inteiras para sempre. Estou muito feliz por estar grávida. E, assim como as outras mães, substituindo o uso do perfume diário por muito repelente.

É uma angústia constante e um alívio a cada ultrassom. A deputada federal dá lugar à mãe preocupada com sua gravidez e com o seu filho. Assim como milhares de grávidas pelo país, mudei minha rotina, sei identificar o temido Aedes aegypti, intensifiquei os cuidados com água parada, estou atenta a qualquer alteração que possa vir acontecer comigo, enfrentei filas de espera para comprar os repelentes mais recomendáveis e acompanhei o aumento dos preços desse produto neste momento de crise.

Foi pensando nisso que apresentei na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4.339/16, que inclui repelentes no rol de produtos da cesta-básica, como também concede isenção de PIS (2,1%) e Cofins (9,65%) para os repelentes que tenham icaridina, substância importada indicada como a com que apresenta melhor eficácia para proteger as pessoas do mosquito Aedes aegypti.

Esta é uma das iniciativas que estamos propondo no Legislativo para proteger as futuras mamães. É sempre bom reafirmar a responsabilidade dos gestores públicos com saneamento básico e da população em geral que deve fazer a sua parte para combater os criadouros dos mosquitos. Mas entendo que garantir o acesso do repelente com custos acessíveis a toda a população é uma medida emergencial e necessária. A luta contra o Aedes aegypti é de todos, mas a maior angústia está no coração das grávidas brasileiras. Eu sei o que estamos passando.

Clarissa Garotinho é deputada federal pelo PR

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